A Pesquisa da Unifor desenvolveu um biomaterial cicatrizante a partir de proteínas extraídas da fruta-pão e da flor-de-pavão, com foco em feridas crônicas associadas ao diabetes. O estudo é conduzido no Núcleo de Biologia Experimental (Nubex) da Universidade de Fortaleza.
O projeto combina lectinas, proteínas capazes de se ligar a carboidratos, para estimular o reparo tecidual. Segundo os pesquisadores, a formulação pode ser aplicada na forma de hidrogel ou membrana porosa, permitindo liberação controlada das moléculas ativas na área lesionada.
Pesquisa da Unifor e a estratégia científica
A origem da pesquisa da Unifor remonta a 2012, quando a professora Cristina Moreira investigou propriedades da fruta-pão em sua tese. A partir de 2015, em parceria com o doutorando Felipe Sousa, o estudo passou a explorar a combinação de lectinas como ativo cicatrizante.
De acordo com o doutorando em Biotecnologia pelo programa Renorbio, os biomateriais permitem criar um ambiente favorável à regeneração.
“A elaboração desses materiais […] permite a elaboração de hidrogéis ou membranas porosas, capazes de carrear e liberar essas lectinas em áreas lesionadas”, afirmou.
Além disso, o foco clínico recai sobre pacientes com lesões vasculares e feridas persistentes, comuns em quadros de diabetes mellitus. Segundo os pesquisadores, a aplicação visa proteger a área da ferida enquanto estimula a regeneração do tecido.
Escala produtiva e biotecnologia recombinante
Apesar do potencial terapêutico, a transposição do laboratório para o mercado enfrenta um obstáculo técnico. A proteína ativa, conhecida como frutalina, é obtida a partir da planta, mas apresenta baixo rendimento.
Cristina Moreira explica que esse fator limita a produção em larga escala. “Quando a gente pensa em transferir essa tecnologia para realmente chegar no mercado […] um dos fatores limitantes é exatamente a obtenção dessa proteína nativa”, declarou.
Diante disso, a estratégia envolve a produção de proteína recombinante, utilizando protocolos de expressão em sistemas biotecnológicos. A diretora do Nubex afirma que, com um método eficiente, será possível fornecer o insumo à indústria farmacêutica em volume compatível com a demanda.
Pesquisa da Unifor e o caminho para o mercado
A pesquisa da Unifor também prevê a criação de uma startup voltada à produção de biomateriais e anticorpos para monitoramento das proteínas. A proposta integra o ecossistema do Tec Unifor, parque tecnológico apoiado pela Fundação Edson Queiroz e pela Finep.
Conforme publicação recente da Universidade, esse modelo busca reduzir a dependência da extração vegetal e consolidar uma cadeia produtiva baseada em biofármacos. A estrutura do Nubex, segundo a direção do núcleo, já possui plataforma para desenvolvimento e produção experimental.
No cenário atual da saúde, terapias para feridas crônicas ainda representam desafio clínico e econômico. Se a pesquisa da Unifor conseguir consolidar a produção recombinante da frutalina, poderá inserir um novo biomaterial cicatrizante no mercado brasileiro, aproximando ciência acadêmica e indústria farmacêutica.