A saída do Brasil de um réu dos atos que atacaram as sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023 colocou o Supremo Tribunal Federal diante de um impasse internacional. Leonardo Rodrigues de Jesus, conhecido como Léo Índio e primo dos filhos mais velhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmou em entrevista à rádio Massa FM que está na Argentina há cerca de 22 dias após deixar o país. Réu no STF, o episódio se insere no cenário em que réu do 8 de Janeiro foge para Argentina após o avanço do processo penal.
Parente de Jair Bolsonaro e réu por participação nos atos que atacaram as sedes dos Três Poderes, Léo Índio declarou temer prisão caso tente regularizar sua permanência em território argentino. Segundo ele, haveria risco de compartilhamento de informações com autoridades brasileiras, o que poderia resultar em detenção.
Réu do 8 de Janeiro foge para Argentina após virar alvo do STF
A Primeira Turma do STF aceitou, em 28 de fevereiro de 2025, a denúncia contra Léo Índio por envolvimento nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A decisão tornou o investigado formalmente réu e abriu a fase de instrução penal, com coleta de provas e oitiva de testemunhas.
Após a aceitação da denúncia, a defesa apresentou recurso, que foi rejeitado. Com isso, o processo seguiu seu curso regular no Supremo. A saída do país ocorreu semanas depois, segundo relato do próprio réu, que não informou a data exata da travessia da fronteira.
Em entrevista a uma rádio do Paraná, Léo Índio afirmou enxergar motivação política no processo. Ele também direcionou críticas ao presidente da Câmara, Hugo Motta, ao Partido Liberal (PL) e a lideranças da direita, indicando isolamento político após o avanço do caso no STF.
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Pedidos de asilo e receio de cooperação internacional
O pedido de asilo apresentado pelo réu do 8 de Janeiro foge para Argentina e está sob análise do governo de Javier Milei. A legislação argentina prevê avaliação individual, sem prazo público para decisão, e considera argumentos como risco de perseguição política.
Casos semelhantes envolvendo investigados e réus ligados aos atos de 8 de Janeiro passaram a ser monitorados pelo Judiciário brasileiro. Em episódios anteriores, pedidos de proteção internacional em outros países criaram entraves à cooperação jurídica e retardaram o cumprimento de decisões judiciais.
Nesse contexto, o STF acompanha com atenção os deslocamentos internacionais de acusados. A Corte avalia que a evasão do território nacional, após a abertura de ações penais, pode interferir na efetividade do processo e na aplicação de medidas cautelares.
Réu do 8 de Janeiro foge para Argentina e amplia tensão institucional
Embora o caso de Léo Índio seja o mais recente, outros réus utilizaram rotas internacionais após romper vínculos com o Judiciário brasileiro. Um dos episódios envolveu falhas administrativas na emissão de documentos, hoje tratadas como alerta institucional, mas sem relação direta com a saída do primo dos filhos de Bolsonaro.
Especialistas em direito penal avaliam que o deslocamento internacional de réus reforça o debate sobre limites da jurisdição brasileira e os mecanismos de cooperação regional. Para o STF, a permanência no exterior não suspende o andamento da ação penal, mas pode dificultar etapas futuras do processo.
Ao fim, o fato de que réu do 8 de Janeiro foge para Argentina adiciona uma camada internacional ao julgamento dos atos golpistas. Com isso, o debate deixa o campo exclusivamente jurídico e passa a envolver dimensões diplomáticas e políticas, ainda sem desfecho definido.