Prefeito de Mossoró (RN) é investigado pela PF por desvios na saúde

O Prefeito de Mossoró é investigado pela Polícia Federal por suspeitas de fraude e desvios na saúde. A apuração integra a Operação Mederi e envolve contratos públicos no RN.
Prefeito de Mossoró é investigado pela Polícia Federal em apuração sobre contratos da saúde
Prefeito de Mossoró é investigado pela PF em operação que apura fraude e desvios na saúde no Rio Grande do Norte. Foto: Divulgação/Prefeitura

O Prefeito de Mossoró (RN), Alysson Bezerra (União Brasil), virou alvo de investigação pela Polícia Federal (PF) por suspeitas de desvios de recursos públicos na área da saúde, no âmbito da Operação Mederi, deflagrada nesta terça-feira (27/01) no Rio Grande do Norte. A ação é conduzida em parceria com a Controladoria-Geral da União e apura contratos de fornecimento de medicamentos firmados por prefeituras do estado.

Ao todo, a Polícia Federal cumpriu 35 mandados de busca e apreensão em oito municípios potiguares. Além do prefeito de Mossoró, a operação atingiu outros gestores municipais, empresários do setor de medicamentos e pessoas ligadas às empresas investigadas.

Prefeito de Mossoró na investigação federal

No caso do Prefeito de Mossoró, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão em sua residência. Durante a diligência, os agentes apreenderam um telefone celular, um notebook e dois discos rígidos pessoais, segundo relato do próprio gestor em pronunciamento público.

De acordo com a Polícia Federal, a investigação teve início em 2023 e se apoia em auditorias da CGU. Os relatórios apontaram falhas na execução contratual, com indícios de pagamento por materiais não entregues, fornecimento inadequado de insumos e sobrepreço em contratos da saúde.

A Justiça também determinou medidas cautelares contra empresários investigados, incluindo pagamento de fiança e monitoramento eletrônico. Durante a operação, a Polícia Civil conduziu um empresário em flagrante por posse ilegal de arma de fogo.

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Defesa e medidas administrativas citadas

A defesa do gestor sustenta que não há imputação pessoal ao Prefeito de Mossoró. Em nota, os advogados afirmaram que a medida judicial ocorre em fase investigativa e não resultou em afastamento do cargo nem em restrições pessoais.

O prefeito afirmou ainda que, em dezembro de 2023, editou decreto que tornou obrigatório o uso do Sistema Nacional de Gestão da Assistência Farmacêutica, o Hórus, para controle de estoque e dispensação de medicamentos no município. Segundo ele, a norma foi encaminhada a órgãos de fiscalização.

Prefeito de Mossoró e os efeitos políticos do caso

Reeleito em 2024 com mais de 78% dos votos válidos, o Prefeito de Mossoró aparece com frequência em levantamentos eleitorais para o governo estadual. Por isso, a investigação ultrapassa o campo técnico e passa a produzir efeitos diretos no ambiente político do Rio Grande do Norte.

Ao colocar sob apuração federal contratos da saúde envolvendo um gestor com projeção estadual, o caso reforça o peso institucional das ações de controle e tende a reorganizar o debate público sobre fiscalização, responsabilidade administrativa e limites da gestão municipal.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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