O desfile da Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo (15/2), provocou reação de lideranças evangélicas. Na segunda-feira (16/02), o caso ganhou repercussão após um pastor criticar o desfile. Durante culto em São Paulo, o pastor Elias Cardoso, da Assembleia de Deus Ministério de Perus, fez duras críticas à apresentação e afirmou que integrantes da escola “terão câncer na garganta”.
A fala ocorreu um dia após a apresentação da escola na Marquês de Sapucaí, quando a Acadêmicos de Niterói levou à avenida a ala “Neoconservadores em conserva”. Os componentes vestiam fantasias em formato de latas com a imagem de uma família tradicional, representação que, segundo material divulgado pela própria agremiação, fazia alusão a grupos opositores ao petista.
Pastor critica desfile e fala em resposta divina
No culto, o líder da Assembleia de Deus Ministério de Perus declarou que os participantes “tripudiaram” da fé evangélica.
“A hora que esses homens estiverem com câncer na garganta, eles vão lembrar com quem mexeram”, afirmou. Em seguida, disse que “Deus vai responder” e citou um “supremo tribunal celestial”.
Além disso, o pastor afirmou que a melhor resposta não seria recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) ou ao Ministério Público, mas aguardar uma reação divina. A fala circulou nas redes sociais e ampliou o debate sobre os limites entre liberdade religiosa e liberdade artística no Carnaval.
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Reação evangélica e anúncio de ação no TSE
A apresentação da Acadêmicos de Niterói mobilizou lideranças conservadoras. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou que o desfile expôs “a fé cristã ao escárnio”. Já o deputado federal Gilberto Nascimento classificou a fantasia como “inadmissível”.
O senador Flávio Bolsonaro declarou que pretende protocolar ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao alegar uso de recursos públicos e ataques a valores familiares. O deputado Nikolas Ferreira associou o episódio às eleições. Já a senadora Damares Alves afirmou que “usar verba pública para ridicularizar a igreja evangélica é inadmissível”.
Pastor critica desfile e escola fala em perseguição
Em nota divulgada após a apresentação, a escola afirmou que foi “perseguida” durante o processo carnavalesco e que enfrentou “ataques políticos” de setores conservadores. Procurada para comentar as críticas posteriores, a agremiação não respondeu.
Tradicionalmente, escolas de samba exploram crítica social, temas políticos, referências ao Congresso Nacional, ao agronegócio e a debates sobre valores familiares. No material oficial, a ala representava segmentos identificados pela escola como integrantes de um bloco conservador no Legislativo.
Ao mesmo tempo, o episódio amplia a tensão entre representantes da Frente Parlamentar Evangélica e manifestações culturais de viés político. O fato de que o pastor critica desfile com termos de forte conotação religiosa desloca o debate para o campo institucional e pode estimular questionamentos formais sobre limites da sátira no espaço público.