As operações da Polícia Federal (PF) no pré-eleitoral devem ganhar intensidade nos próximos meses, segundo avaliação interna da PF e da Procuradoria-Geral da República. O planejamento busca concentrar ações antes do início período eleitoral, reduzindo o risco de leitura política sobre investigações que já acumulam grande volume de material analisado.
De acordo com integrantes da corporação, o ritmo não decorre de aceleração artificial. O entendimento é que a quantidade e a consistência dos dados sob apuração permitem o avanço simultâneo de diferentes frentes, muitas delas envolvendo suspeitas sobre a destinação e a execução de emendas parlamentares, eixo central das ações da PF no período pré-eleitoral.
Operações da PF no pré-eleitoral e a supervisão do STF
No Supremo Tribunal Federal, ministros estimavam no início do ano passado ao menos 80 investigações relacionadas a emendas, número que, segundo assessores da Corte, cresceu de 2025 até agora. Parte expressiva desses casos está sob relatoria do ministro Flávio Dino, o que confere lastro jurídico às operações da PF no pré-eleitoral em curso.
Esses processos passaram a servir também como instrumento de cobrança por transparência, rastreabilidade e controle da execução orçamentária. Em setembro, Dino determinou um pente-fino sobre emendas Pix apresentadas por 92 políticos, para avaliar a abertura de novos inquéritos por suspeitas de corrupção e prevaricação.
Leia também: Gilmar Mendes propõe força-tarefa contra deep fakes nas eleições 2026
Emendas, buscas e desgaste político
Entre as ações em curso, a Operação Transparência cumpriu mandados de busca e apreensão em dezembro, inclusive em dependências da Câmara dos Deputados. Planilhas com dados sobre emendas foram recolhidas e seguem sob análise da PF. A defesa dos alvos nega irregularidades, enquanto outros ministros também autorizam medidas semelhantes.
Na última semana, a ministra Cármen Lúcia autorizou buscas envolvendo um deputado federal do União Brasil, que atribuiu a responsabilidade pela execução das emendas aos municípios. Em paralelo, a Operação Overclean, já em sua nona fase, alcançou prefeitos, parlamentares e servidores públicos. A apuração, inserida no contexto das investigações da PF antes do período eleitoral, mira desvios de recursos federais vinculados a emendas e convênios.
Operações da PF no pré-eleitoral e o cálculo institucional
Além das emendas, há apurações sobre uso irregular de cotas parlamentares, algumas delas relatadas por Dino. Deputados atingidos reagiram com acusações de perseguição política, o que reforça a leitura interna de que o calendário importa tanto quanto o conteúdo das investigações.
Nesse contexto, as operações da PF no pré-eleitoral funcionam como um ajuste fino entre dever investigativo e prudência institucional. Ao avançar antes da campanha, a corporação busca preservar legitimidade, enquanto o Judiciário amplia o cerco sobre práticas que seguem sob questionamento estrutural.