Com foco em tecnologia, recursos estratégicos e diversificação comercial na Ásia, Lula viaja para Índia entre os dias 18 e 24 de fevereiro para cumprir uma agenda que também inclui compromissos na Coreia do Sul. Em Nova Déli, o presidente participa da Cúpula Impacto da Inteligência Artificial, marcada para os dias 19 e 20, ao lado de cerca de 20 chefes de Estado.
No dia 21, Lula se reúne com o primeiro-ministro Narendra Modi para anunciar ao menos dez acordos bilaterais. Entre eles está a Parceria Digital Brasil-Índia para o Futuro. O acordo prevê cooperação em infraestrutura pública digital, identidade digital e pagamentos digitais. Também inclui o desenvolvimento de grandes modelos de linguagem.
Lula viaja para Índia com foco em tecnologia e minerais
Também será firmado memorando de entendimento sobre terras raras e minerais estratégicos. O Brasil detém a segunda maior reserva global desses insumos e defende a universalidade nas relações comerciais, sem cláusulas de exclusividade.
O governo pretende enfatizar o processamento em solo nacional, e não apenas a exportação de matéria-prima. Do lado indiano, há interesse em reduzir dependência da China na cadeia ligada à transição energética e à indústria de semicondutores, setor em que a Índia investe US$ 20 bilhões em fábrica de chips.
Segundo a ministra Esther Dweck, “a cadeia de IA que vai desde as terras raras até o software não pode levar a um maior desequilíbrio entre países”. A declaração vincula a agenda tecnológica ao debate sobre desigualdade.
Expansão da cooperação asiática
Após a etapa indiana, o presidente segue para Seul, onde cumpre agenda oficial entre 22 e 24 de fevereiro. Brasil e Coreia do Sul devem adotar um Plano de Ação Trienal para elevar o relacionamento ao nível de parceria estratégica.
Um fórum empresarial reunirá 230 empresas brasileiras para tratar de inovação, comércio, fluxos tecnológicos e agronegócio. A Coreia do Sul ocupa hoje o 13º lugar entre os destinos das exportações brasileiras.
Lula viaja para Índia em meio a tensão digital
A viagem ocorre enquanto políticas brasileiras de regulação de plataformas digitais seguem sob análise da Seção 301 do Escritório de Comércio dos Estados Unidos. Medidas regulatórias e decisões do Supremo já foram citadas por Washington ao justificar tarifas anunciadas no ano passado.
Em Nova Déli, Lula deve reforçar a defesa da governança global de IA e do sistema multilateral. Ao combinar acordos em tecnologia, minerais e comércio asiático, Lula viaja para Índia buscando ampliar a inserção brasileira na cadeia global de inovação e reduzir vulnerabilidades estratégicas.