Em meio às articulações para a eleição presidencial de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou neste sábado (07/02), durante o evento de aniversário do PT, a estratégia de ampliar alianças para além do campo da esquerda. Nesse desenho, Lula quer vice do MDB como forma de atrair o partido para a coligação, ampliar o tempo de propaganda eleitoral na televisão e fortalecer a construção de uma frente mais ampla no centro político.
A leitura predominante no entorno do Planalto é que ampliar o arco de alianças tornou-se uma exigência prática. Dirigentes petistas avaliam que ganhos marginais, como mais tempo de propaganda na televisão e maior capilaridade regional, podem ser decisivos. Nesse cálculo, o MDB surge como o único partido de centro com peso institucional capaz de alterar a correlação política da disputa.
Lula quer vice do MDB como ativo eleitoral
A avaliação feita por interlocutores do presidente é que Lula quer vice do MDB para oferecer ao partido um argumento sólido na convenção nacional, marcada para ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto. A direção emedebista está dividida, com 17 diretórios estaduais afastados do governo e apenas dez alinhados ao Planalto, segundo levantamentos internos divulgados pela Folha de S. Paulo.
O tema vem sendo tratado desde dezembro em conversas reservadas com os senadores Renan Calheiros (MDB-AL) e Eduardo Braga (MDB-AM), ambos aliados do governo. A interpretação apresentada ao presidente foi direta: sem a vice-presidência, a chance de o MDB integrar formalmente a coligação seria reduzida.
Três nomes circulam como alternativas caso a negociação avance. São eles o ministro dos Transportes, Renan Filho, o governador do Pará, Helder Barbalho, e a ministra do Planejamento, Simone Tebet. Cada perfil atende a um recorte distinto do eleitorado e reforça a lógica de ocupação do centro político.
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O papel de Alckmin no desenho da chapa
Apesar das articulações, o atual vice-presidente segue como peça sensível do tabuleiro. Lula tem reiterado elogios públicos a Geraldo Alckmin e afirmou que ele “tem um papel importante a cumprir” na eleição em São Paulo. A frase foi lida por dirigentes do MDB como um sinal ambíguo, que preserva o aliado enquanto mantém aberta a negociação.
Alckmin já comunicou à cúpula do PT que apoiará a reeleição de Lula mesmo fora da chapa, sem disputar outro cargo. Ainda assim, dirigentes do PSB defendem sua permanência, argumentando que ele ampliou pontes com setores empresariais e com o eleitorado moderado ao longo do mandato.
Lula quer vice do MDB e mira o centro político
Além do MDB, o presidente busca neutralizar partidos do centrão, evitando que essas legendas ofereçam apoio formal ao senador Flávio Bolsonaro. Reuniões com líderes do PP, do União Brasil e do Republicanos seguem essa lógica, priorizando acordos regionais e liberdade de alinhamento nos estados.
Nesse contexto, Lula quer vice do MDB como símbolo de uma frente ampliada, capaz de ocupar o espaço central do espectro político e reduzir a margem de crescimento da direita. A estratégia, contudo, envolve riscos: desagradar aliados históricos e fracassar na convenção emedebista poderia impor custos políticos relevantes.