Dino proíbe novas leis que concedam ‘penduricalhos’ acima do teto e trava verbas retroativas

Dino proíbe novas leis que criem verbas acima do teto e amplia bloqueio ao impedir reconhecimento de valores retroativos não pagos. Decisão pressiona Congresso e será analisada pelo Plenário do STF.
Dino proíbe novas leis sobre penduricalhos acima do teto no STF
Flávio Dino determinou bloqueio à criação de novas leis que ampliem penduricalhos acima do teto do funcionalismo. Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, proibiu novas leis que criem ou ampliem verbas capazes de ultrapassar o teto do funcionalismo e, além disso, fechou a porta para o reconhecimento de valores retroativos ainda não pagos. A decisão complementar do ministro do STF impede que órgãos dos três Poderes editem atos para viabilizar novos “penduricalhos” enquanto a Corte não conclui o julgamento do caso.

A novidade vai além da suspensão anterior. Agora, ficam vedadas não apenas novas normas sobre verbas indenizatórias e gratificações, mas também o reconhecimento de supostos direitos pretéritos que não estavam sendo pagos até 5 de fevereiro. Na prática, o despacho cria um bloqueio duplo: normativo e financeiro. A investigação jurídica, contudo, esbarra em um detalhe técnico que amplia o alcance da medida.

O ministro vinculou a proibição à ausência de regulamentação da Emenda Constitucional 135/2024, que exige lei nacional para definir quais parcelas podem ficar fora do teto constitucional. Como o Congresso ainda não editou essa norma, Dino sustentou que órgãos autônomos não podem criar compensações próprias para elevar a remuneração acima do limite hoje fixado em R$ 46.366,19.

Dino proíbe novas leis e amplia bloqueio ao fechar porta para retroativos

Além da vedação às novas regras, o despacho mantém o prazo de 60 dias para que União, estados e municípios publiquem detalhadamente as parcelas remuneratórias e indenizações, com indicação expressa da base legal. O recado é direto: descrições genéricas nos Portais da Transparência não bastam para justificar despesas com dinheiro público. Para além do efeito imediato, a exigência altera o padrão de exposição das folhas salariais.

Leia também: Veto de Lula decidirá futuro de penduricalhos do Legislativo

Congresso sob pressão institucional

Ao mencionar a omissão legislativa, Dino afirmou que caberá ao STF examinar eventual regime transitório caso o Congresso não regulamente o tema. A decisão reforça a tensão entre Judiciário e Legislativo sobre a definição do alcance do subsídio dos ministros do STF, que serve de parâmetro ao teto.

O caso será submetido ao Plenário na próxima quarta-feira (25/02), quando os ministros decidirão se mantêm a liminar. Até lá, ficam congeladas iniciativas que tentem instituir novos auxílios, bônus ou compensações capazes de elevar ganhos no serviço público acima do limite constitucional.

No pano de fundo, a medida ocorre após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionar reajustes para carreiras do Legislativo, mas vetar dispositivos que poderiam gerar pagamentos retroativos e licenças convertidas em dinheiro. A convergência entre veto presidencial e decisão judicial delimita o espaço para criação de novos benefícios.

Dino proíbe novas leis, mas o efeito prático pode ir além do bloqueio imediato: se o Congresso mantiver a inércia, o STF tende a assumir a definição transitória das regras sobre supersalários, redesenhando o equilíbrio entre autonomia administrativa e controle fiscal. O desfecho indicará até onde vai a capacidade da Corte de arbitrar os limites do teto no Brasil.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

Veja também:

Algum fato relevante chamou sua atenção?

Envie fatos, registros e informações para análise da redação do J1 News.

Publicidade