Cassação de Jorge Seif expõe debate no TSE sobre provas para afastar mandato

A cassação de Jorge Seif entra em nova fase no TSE e desloca o foco para o padrão de prova exigido em ações por abuso de poder econômico nas eleições de 2022. Julgamento segue com seis votos pendentes.
cassação de Jorge Seif em julgamento no Tribunal Superior Eleitoral
Jorge Seif durante julgamento no TSE que analisa pedido de cassação do mandato por abuso de poder econômico. Foto: Agência Senado

O julgamento de cassação de Jorge Seif, senador pelo PL acusado de abuso de poder econômico nas eleições de 2022, colocou em debate, nesta terça-feira (10/02), um embate interno no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o padrão de prova exigido para afastar um parlamentar eleito. O voto do relator, ministro Floriano de Azevedo Marques, ao defender a manutenção do cargo, deslocou o foco da denúncia para a consistência do conjunto probatório.

Logo no início da sessão, os ministros rejeitaram por unanimidade os embargos da defesa. Em seguida, ao analisar o mérito, o relator sustentou que não encontrou elementos que vinculassem de forma indiscutível o senador aos voos de aeronaves da Havan durante a campanha de 2022. O julgamento será retomado na próxima quinta-feira (12/02), às 10h, quando os demais ministros apresentarão seus votos.

A cassação de Jorge Seif e o critério de prova

Floriano afirmou que a condenação em ação de investigação judicial eleitoral exige demonstração clara de conduta grave e potencial de desequilíbrio do pleito. “Ausente prova robusta, deve-se privilegiar o sufrágio popular”, declarou ao ler seu voto.

O ministro reconheceu “penumbra” nos registros de transporte da campanha, sobretudo diante da coincidência entre rotas aéreas da empresa e compromissos eleitorais. Ainda assim, destacou que os autos não demonstram que o candidato estivesse a bordo das aeronaves.

Ao sustentar que a instância recursal não pode substituir a fase de instrução conduzida pelo Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC), o relator introduziu um ponto sensível: até onde o TSE pode aprofundar diligências quando entende que a produção de prova foi insuficiente na origem.

Estrutura empresarial e limites da Justiça Eleitoral

A acusação aponta uso de estrutura empresarial, transporte aéreo, envio de e-mails e apoio logístico vinculados à rede varejista Havan. Também menciona cessão de helicóptero de terceiro e participação em evento sindical. O Ministério Público Eleitoral apresentou parecer favorável à perda do mandato e defendeu novas eleições.

No entanto, o relator afirmou que a investigação complementar, determinada em 2024, não produziu registros diretos de embarque do senador. Segundo ele, caberia aos autores da ação e ao Ministério Público consolidar a prova ainda na fase inicial do processo.

Esse ponto altera o eixo da discussão sobre a cassação de Jorge Seif, porque coloca em debate o padrão probatório para caracterizar abuso de poder econômico em campanhas majoritárias. A Corte já fixou, em precedentes recentes, que a cassação exige prova consistente e gravidade concreta.

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Próximos votos e repercussões institucionais

Com seis ministros ainda por votar, o julgamento pode consolidar entendimento sobre os limites da atuação do TSE em recursos eleitorais. O desfecho não envolve apenas o mandato de oito anos, do qual restam quatro, mas também o alcance da jurisprudência eleitoral sobre financiamento indireto e apoio empresarial.

A cassação de Jorge Seif, portanto, evolui para além do caso individual. O que está em exame é o grau de exigência de prova que a Justiça Eleitoral adotará para afastar representantes eleitos quando a controvérsia envolve uso de bens privados e estrutura corporativa em campanha.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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