Caso Marielle: PGR apresenta nova denúncia ao STF

O Caso Marielle avança no STF com nova denúncia da PGR contra três policiais por associação criminosa e obstrução de justiça. A acusação amplia a frente penal ligada ao assassinato de 2018.
Marielle Franco em imagem associada ao Caso Marielle no Rio de Janeiro
Imagem de Marielle Franco, vereadora assassinada em 2018, cujo caso segue em julgamento no Supremo Tribunal Federal. Foto: Reprodução

A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou, nesta sexta-feira (13/02), nova denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF) no caso Marielle contra três policiais civis do Rio de Janeiro. A acusação envolve associação criminosa e obstrução de justiça no contexto das investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorrido em março de 2018.

O vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, assinou a peça. A denúncia decorre do desmembramento do Inquérito 4954, em tramitação no STF. Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, Giniton Lages e Marco Antonio de Barros Pinto figuram como denunciados. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), o grupo atuou para “garantir a impunidade de crimes de homicídio praticados por organizações criminosas, por meio de obstrução às investigações”.

Caso Marielle amplia frente penal no STF

A PGR afirma que os policiais estruturaram um núcleo interno na Polícia Civil do Rio de Janeiro. Esse grupo, segundo a acusação, interferia em apurações de homicídios ligados a milicianos e contraventores. As disputas envolviam território e exploração de mercados ilícitos, como jogos clandestinos.

A denúncia descreve um padrão de conduta. O texto cita desaparecimento de provas, retirada de inquéritos policiais de delegados externos ao grupo e ocultação de elementos probatórios. Também menciona uso de testemunhos falsos e diligências sem resultado prático. A PGR sustenta que a organização se beneficiou de um cenário classificado como “mercantilização de homicídios” no estado.

Investigação sobre o assassinato de Marielle

No eixo ligado diretamente ao crime, a acusação sustenta que Rivaldo Barbosa aderiu previamente ao plano de execução. À época, ele dirigia a Divisão de Homicídios. Segundo a peça, ele assumiu o compromisso de garantir impunidade aos autores. A denúncia também inclui a tentativa de homicídio contra a assessora Fernanda Chaves.

Rivaldo já responde por organização criminosa e homicídio no processo principal do caso Marielle. A Primeira Turma do STF deve julgar esse núcleo na última semana de fevereiro. A nova denúncia, porém, tramita de forma autônoma.

Os próximos passos no Supremo

Os acusados terão 15 dias para apresentar defesa prévia. Depois disso, o STF avaliará se existem indícios suficientes para abrir ação penal. Se a Corte receber a denúncia, os três passarão à condição de réus.

O vice-procurador-geral pediu condenação pelos crimes apontados. Ele também solicitou a manutenção de medidas cautelares, a perda do cargo público e indenização por dano moral coletivo. Segundo a acusação, a associação impôs deficiência estrutural ao sistema investigativo do Rio.

Ao ampliar a responsabilização para o suposto núcleo interno da corporação, o caso Marielle entra em uma fase de apuração institucional mais profunda. O desfecho dependerá da decisão do STF nas próximas semanas.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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