Bolsonaro recebe aliados na Papudinha, mas presidente do PL tem visita negada

Bolsonaro recebe aliados desde 15 de janeiro na Papudinha, com 25 pedidos de visita registrados. A negativa ao presidente do PL evidencia que o acesso autorizado pelo STF passou a influenciar as articulações do partido para 2026.
Bolsonaro recebe aliados na Papudinha sob controle do STF
Ex-presidente Jair Bolsonaro na Papudinha, onde recebe aliados com autorização judicial. Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

O ex-presidente Jair Bolsonaro recebe aliados na Papudinha desde 15 de janeiro, quando foi transferido para a unidade prisional após decisão judicial e passou a cumprir prisão no local. De lá para cá, Bolsonaro passou a concentrar pedidos de audiência de pré-candidatos e dirigentes partidários. Ao todo, foram 25 solicitações formais de visita registradas no período.

O dado ganha relevância porque o acesso depende de autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os pedidos, está o do presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, que teve a entrada negada por também ser investigado. Enquanto aliados conseguem audiência, o dirigente máximo da legenda ficou de fora. Esse contraste introduz um novo elemento na dinâmica interna do partido.

Bolsonaro recebe aliados com 17 pré-candidatos na fila

Dos 25 pedidos, 17 são de nomes que disputarão as eleições de 2026. Desses, 14 buscam vagas ao Senado Federal ou aos governos estaduais, cargos tratados como prioridade pelo PL na próxima legislatura.

O senador Carlos Portinho afirmou que ainda não há definição fechada no Rio de Janeiro. Já o deputado Ubiratan Sanderson declarou que Bolsonaro deve “confirmar (ou não)” sua candidatura ao Senado no Rio Grande do Sul. As declarações indicam que o ex-presidente continua sendo consultado antes das formalizações partidárias.

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STF define quem entra e por quanto tempo

O ministro Alexandre de Moraes autorizou, por exemplo, visita de duas horas ao deputado Guilherme Derrite. No mesmo período, três solicitações permaneceram sem resposta e o senador Magno Malta teve pedido negado após tentativa de entrada sem autorização prévia.

O controle judicial estabelece limites objetivos ao fluxo de interlocutores. Mesmo assim, aliados discutiram na Papudinha cenários de ao menos oito estados, incluindo Goiás, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.

Rio combina disputa ao Senado e risco de eleição indireta

No Rio de Janeiro, o cenário envolve mais variáveis. O governador Cláudio Castro avalia disputar o Senado em 2026. Caso deixe o cargo, o estado poderá realizar eleição indireta, já que não há vice-governador.

Castro declarou que precisa de garantia sobre quem assumiria o governo diante de um déficit projetado de R$ 19 bilhões. Nos bastidores, aliados afirmam que Bolsonaro trata uma das vagas ao Senado no estado como indicação direta sua, embora ainda precise articular a definição com Flávio Bolsonaro.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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