Senado coloca comissão master em campo e envolve PF e STF

A comissão master inicia no Senado a fase operacional do acompanhamento do caso Banco Master, com foco na atuação da CVM, limites legais e articulação com órgãos de controle.
Comissão master do Senado apura atuação no caso Banco Master
Sede do Banco Master, alvo de apurações acompanhadas pela comissão master no Senado. Foto: Divulgação

O Senado inicia nesta semana uma nova etapa de articulação institucional no acompanhamento do caso Banco Master. A agenda inclui tratativas com a Polícia Federal (PF) e o Supremo Tribunal Federal (STF) para discutir acesso e compartilhamento de informações. O avanço ocorre com a ativação do grupo de trabalho criado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). A comissão master se reúne nesta terça-feira (10/02) para votar requerimentos que definirão o alcance prático da atuação do colegiado. Estão em pauta convocações e pedidos de informações a órgãos de investigação e controle.

A votação marca o primeiro passo formal do Senado para estruturar sua frente de acompanhamento do caso, já conectada à articulação com PF e STF. A partir dessas deliberações, o grupo passa a dispor de instrumentos para solicitar documentos e dados técnicos. O objetivo é obter esclarecimentos centrais para avaliar a supervisão exercida sobre operações financeiras ligadas ao Banco Master e a instituições associadas.

Comissão master e o desenho institucional

A comissão master adota uma estratégia de coordenação com outros órgãos do Estado. Ainda nesta semana, o presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), agenda reuniões em Brasília. Ele se reúne com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Em seguida, encontra o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin. O objetivo é discutir limites e possibilidades de compartilhamento de informações. O debate inclui dados protegidos por sigilo.

Renan defende a priorização do diálogo institucional nesta fase. Segundo o senador, essa abordagem preserva a cooperação entre os Poderes. Ele também busca evitar tensionamentos ligados a pedidos que exigiriam deliberação em plenário.

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Limites legais e alternativas em discussão

Por não operar como Comissão Parlamentar de Inquérito, a comissão master enfrenta restrições adicionais. O colegiado não acessa diretamente dados sigilosos. Senadores citam como referência a Lei Complementar nº 105, que regula o sigilo bancário. Ainda assim, reconhecem que novas quebras dependeriam de autorização formal do Senado.

Auxiliares da presidência da CAE avaliam que informações já disponíveis no Banco Central e no Tribunal de Contas da União podem ser suficientes. Caso outros órgãos imponham resistência, aliados de Renan consideram alternativas. Entre elas, está a apresentação de requerimentos no âmbito da CPI do Crime Organizado, já em funcionamento.

Resposta institucional e próximos passos

Enquanto o Senado estrutura sua atuação, a Comissão de Valores Mobiliários criou um grupo interno. A autarquia passou a mapear providências adotadas em relação ao Banco Master, à gestora Reag e a entidades conexas. Também abriu nova apuração administrativa. O prazo estimado dessa etapa é de cerca de três semanas.

A agenda desta semana é considerada decisiva para o ritmo da comissão master. Com os requerimentos votados e as reuniões com PF e STF realizadas, o Senado busca avançar na análise técnica. O foco recai sobre falhas de supervisão e responsabilidades institucionais. Por ora, a abertura de uma CPI específica permanece fora do horizonte imediato.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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