A investigação sobre o Banco Master ganhou novo capítulo nesta quinta-feira (12/02), quando o ministro Dias Toffoli divulgou nota pública negando ter recebido valores e rebatendo suspeitas relacionadas aos pagamentos a Toffoli no contexto da empresa Maridt. A manifestação ocorre após a Polícia Federal identificar, em relatório pericial, menções a possíveis repasses ligados ao resort Tayayá em diálogos extraídos do celular de Daniel Vorcaro, documento que foi entregue ao presidente do Supremo Tribunal Federal na quarta-feira (11/02).
Segundo investigadores, as mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro tratam de valores vinculados ao resort Tayayá. A PF não detalhou oficialmente o conteúdo, mas informou ao STF que identificou referências a pagamentos envolvendo a empresa da qual o ministro Dias Toffoli participa como sócio.
Venda do resort, conexões financeiras e pagamentos a Toffoli
A Maridt integrou o grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. Antes disso, em 27 de setembro de 2021, houve venda de parte das cotas ao Fundo Arleen. Neste ano, os sócios alienaram o saldo remanescente à PHD Holding.
Em 2021, os sócios venderam parte das cotas do resort por mais de R$ 3 milhões. A Reag controlava o Fundo Arleen, e o Banco Central a descreveu como administradora ligada ao Banco Master. O BC apontou que Reag e Master realizaram operações estruturadas, com circulação de recursos entre fundos, no contexto de investigação sobre fraudes financeiras bilionárias.
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Defesa do ministro e rito institucional
Em nota oficial, Toffoli afirmou que “jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”. O ministro também declarou que nunca manteve relação de amizade com o investigado e afirmou que declarou todas as operações da Maridt à Receita Federal.
A Lei Orgânica da Magistratura permite que magistrados integrem quadro societário e recebam dividendos, vedando apenas atos de gestão. A PF citou o artigo 33 da norma ao encaminhar o relatório, que determina remessa ao tribunal competente quando surgem indícios envolvendo magistrado.
“O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro. De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador”, declarou na nota.
Pagamentos a Toffoli e a relatoria no Supremo
O inquérito do Master tramita no Supremo desde que o próprio Toffoli determinou sua remessa à Corte. Desde então, o ministro decretou sigilo absoluto, determinou acareação entre Vorcaro e um diretor do Banco Central e acompanhou a produção de prova pericial sobre o material apreendido.
Nos bastidores, investigadores avaliam que a apuração sobre pagamentos a Toffoli altera o eixo do caso. Integrantes da Corte ouvidos sob reserva afirmam que a definição agora depende da manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e das decisões do presidente do STF.
A análise dos pagamentos a Toffoli pode redefinir os próximos passos do inquérito. Também pode testar os limites institucionais do Supremo diante de uma investigação que envolve governança bancária, responsabilidade de magistrados e controle de legalidade.