Ministro Marco Buzzi será investigado pela PF após acusação de abuso sexual

O ministro Marco Buzzi será investigado pela PF após determinação do STF para apurar acusação de assédio. A decisão desloca o caso para a esfera criminal e amplia a pressão institucional sobre o STJ.
ministro Marco Buzzi será investigado pela PF após decisão do STF
O ministro do Superior Tribunal de Justiça, Marco Aurélio Gastaldi Buzzi, será investigado pela Polícia Federal após decisão do STF que autorizou a abertura de inquérito. Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

O ministro Marco Buzzi será investigado pela PF (Polícia Federal) após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou a abertura de inquérito para apurar uma acusação de assédio atribuída ao magistrado do Superior Tribunal de Justiça. A definição ocorreu nesta semana, no contexto do foro por prerrogativa de função, e desloca o caso para a esfera criminal federal.

A medida representa um novo estágio do episódio, que até então avançava principalmente no campo administrativo. Com a determinação do STF, a Polícia Federal passa a ser responsável pela apuração penal, sob supervisão da Corte, o que amplia o alcance institucional do caso e redefine seu peso jurídico.

Ministro Marco Buzzi será investigado pela PF

A decisão do Supremo ocorre após o envio dos autos ao tribunal em razão do foro especial do magistrado. A partir desse encaminhamento, caberá à Polícia Federal conduzir as diligências iniciais, reunir depoimentos e organizar o material probatório relacionado à acusação de assédio apresentada por uma jovem de 18 anos.

O STF distribuiu o caso ao ministro Kassio Nunes Marques. Conforme a apuração avance, a Polícia Federal poderá encaminhar os elementos reunidos à Procuradoria-Geral da República (PGR), que avalia eventual propositura de ação penal contra autoridades com prerrogativa de foro.

Esse deslocamento para a PF consolida a frente criminal como eixo principal da apuração. Mesmo sem divulgar publicamente o relato, a apuração trata os fatos como importunação sexual e exige que as autoridades analisem a tipificação penal e o contexto da conduta.

Apuração criminal se soma a frentes administrativas

Paralelamente à investigação federal, o Conselho Nacional de Justiça mantém procedimento administrativo em curso. O corregedor nacional, ministro Mauro Campbell, iniciou oitivas para avaliar a conduta funcional do magistrado à luz das normas disciplinares do Judiciário.

No âmbito interno, o STJ instaurou sindicância para apurar os fatos sob a ótica administrativa. Essa iniciativa antecede a entrada da PF no caso e segue tramitando em sigilo. Embora relevante, ela passa a ter papel secundário diante da centralidade da investigação criminal determinada pelo STF.

Nos bastidores, integrantes da Corte avaliam que a condução simultânea das frentes administrativa e penal impõe pressão institucional adicional. Interlocutores relatam um ambiente interno deteriorado, com cobrança por respostas compatíveis com a gravidade da acusação.

Polícia Federal vai apurar acusação contra ministro do STJ

Após a reunião que definiu a abertura da sindicância, Marco Buzzi comunicou aos colegas que pretende solicitar licença médica. Em nota, o magistrado negou a acusação, afirmou que o conteúdo divulgado não corresponde aos fatos e declarou confiança nos esclarecimentos ao longo das apurações.

A defesa da jovem sustenta que espera rigor na condução do caso e destaca a necessidade de preservar a família. Com a decisão do Supremo, a Polícia Federal investigará o ministro Marco Buzzi, etapa que tende a orientar os próximos desdobramentos institucionais e jurídicos do episódio.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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