O ministro Marco Buzzi será investigado pela PF (Polícia Federal) após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou a abertura de inquérito para apurar uma acusação de assédio atribuída ao magistrado do Superior Tribunal de Justiça. A definição ocorreu nesta semana, no contexto do foro por prerrogativa de função, e desloca o caso para a esfera criminal federal.
A medida representa um novo estágio do episódio, que até então avançava principalmente no campo administrativo. Com a determinação do STF, a Polícia Federal passa a ser responsável pela apuração penal, sob supervisão da Corte, o que amplia o alcance institucional do caso e redefine seu peso jurídico.
Ministro Marco Buzzi será investigado pela PF
A decisão do Supremo ocorre após o envio dos autos ao tribunal em razão do foro especial do magistrado. A partir desse encaminhamento, caberá à Polícia Federal conduzir as diligências iniciais, reunir depoimentos e organizar o material probatório relacionado à acusação de assédio apresentada por uma jovem de 18 anos.
O STF distribuiu o caso ao ministro Kassio Nunes Marques. Conforme a apuração avance, a Polícia Federal poderá encaminhar os elementos reunidos à Procuradoria-Geral da República (PGR), que avalia eventual propositura de ação penal contra autoridades com prerrogativa de foro.
Esse deslocamento para a PF consolida a frente criminal como eixo principal da apuração. Mesmo sem divulgar publicamente o relato, a apuração trata os fatos como importunação sexual e exige que as autoridades analisem a tipificação penal e o contexto da conduta.
Apuração criminal se soma a frentes administrativas
Paralelamente à investigação federal, o Conselho Nacional de Justiça mantém procedimento administrativo em curso. O corregedor nacional, ministro Mauro Campbell, iniciou oitivas para avaliar a conduta funcional do magistrado à luz das normas disciplinares do Judiciário.
No âmbito interno, o STJ instaurou sindicância para apurar os fatos sob a ótica administrativa. Essa iniciativa antecede a entrada da PF no caso e segue tramitando em sigilo. Embora relevante, ela passa a ter papel secundário diante da centralidade da investigação criminal determinada pelo STF.
Nos bastidores, integrantes da Corte avaliam que a condução simultânea das frentes administrativa e penal impõe pressão institucional adicional. Interlocutores relatam um ambiente interno deteriorado, com cobrança por respostas compatíveis com a gravidade da acusação.
Polícia Federal vai apurar acusação contra ministro do STJ
Após a reunião que definiu a abertura da sindicância, Marco Buzzi comunicou aos colegas que pretende solicitar licença médica. Em nota, o magistrado negou a acusação, afirmou que o conteúdo divulgado não corresponde aos fatos e declarou confiança nos esclarecimentos ao longo das apurações.
A defesa da jovem sustenta que espera rigor na condução do caso e destaca a necessidade de preservar a família. Com a decisão do Supremo, a Polícia Federal investigará o ministro Marco Buzzi, etapa que tende a orientar os próximos desdobramentos institucionais e jurídicos do episódio.