Mendonça troca peritos da PF indicados por Toffoli no caso Master

Mendonça troca peritos da PF e devolve à corporação o controle da análise técnica na Operação Compliance Zero. A decisão reverte atos anteriores, altera a cadeia de custódia e reposiciona o papel da perícia no inquérito do banco Master.
Mendonça troca peritos da PF indicados por Toffoli no caso Master
Ministro André Mendonça determinou a troca de peritos da PF no inquérito do banco Master. Foto: Gustavo Moreno-SCO-STF

No inquérito que apura irregularidades envolvendo o Banco Master, o ministro André Mendonça troca peritos da PF (Polícia Federal) indicados por Dias Toffoli no caso Master e altera o eixo técnico da Operação Compliance Zero. A decisão devolve à Polícia Federal a prerrogativa de definir quem analisará celulares, computadores e documentos apreendidos na segunda fase da investigação.

Com o despacho, a corporação passa a substituir os profissionais escolhidos na relatoria anterior e retoma o controle direto da perícia. A medida foi tomada após reunião entre delegados responsáveis pelo caso e o novo relator no Supremo Tribunal Federal (STF).

Mendonça troca peritos da PF: a decisão que redesenha a perícia no caso Master

Ao assumir o inquérito, Mendonça desfez a diretriz que mantinha provas sob custódia da Procuradoria-Geral da República (PGR). Além disso, autorizou a corporação a indicar novos especialistas para a análise financeira, etapa central diante do volume de dados digitais apreendidos.

A mudança ocorre após relatório encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin, mencionar referências a pagamentos ao então relator no celular do principal investigado. Para além do dado político, o episódio reposiciona o controle da cadeia de custódia digital.

Críticas técnicas influenciaram a troca

Fontes da investigação afirmam que o profissional inicialmente indicado não possuía qualificação específica para perícia contábil e financeira.

“É ótimo engenheiro, mas não tinha qualificação para atuar em um caso de análise financeira”, relataram investigadores.

Segundo interlocutores, se o material tivesse permanecido sob aquela condução, o desfecho poderia ter sido distinto. A nova orientação busca reforçar a robustez da prova pericial, especialmente na extração de dados sensíveis.

Leia também: Relatório da PF ao STF pode mudar rumo do caso Master

O que está sob análise

A PF iniciou a extração de conteúdo de ao menos quatro celulares do investigado, além de documentos físicos, computadores apreendidos e registros vinculados ao banco Master. A etapa envolve cruzamento de dados bancários, verificação de transações e rastreamento de comunicações.

Com a troca, a corporação reassume papel central na apuração técnica, sem interferência externa na escolha dos especialistas.

E agora?

A decisão de Mendonça projeta efeitos além do caso Master. Ela reforça o debate sobre limites da relatoria no STF e autonomia da polícia judiciária em investigações sensíveis. Em um cenário de escrutínio sobre governança institucional, a definição de quem examina a prova pode influenciar o ritmo e a consistência de processos complexos. No Supremo, técnica e poder seguem entrelaçados, e cada despacho redefine esse equilíbrio.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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