Após assumir a relatoria das investigações envolvendo o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), com a saída de Dias Toffoli, o ministro André Mendonça iniciou nesta sexta-feira (13/02) a reorganização do caso. Como primeiro ato formal, Mendonça convoca reunião com delegados da Polícia Federal (PF) responsáveis pelas apurações, em encontro virtual destinado a traçar um panorama das diligências já realizadas.
A iniciativa ocorre no momento em que o novo relator precisa se inteirar dos relatórios já produzidos, avaliar o alcance das apurações e definir quais medidas serão adotadas nas próximas semanas. O foco imediato é obter um panorama técnico das diligências em curso.
Mendonça convoca reunião e assume controle das investigações
A convocação ocorre após o sorteio que transferiu a relatoria ao gabinete de Mendonça, depois de Toffoli deixar a condução do caso. Em nota, o STF informou que a saída ocorreu “a pedido”, e os ministros afastaram a hipótese de suspeição, mantendo válidos todos os atos já praticados. Agora, cabe a Mendonça supervisionar todos os atos da Polícia Federal, decidir sobre pedidos de busca, quebras de sigilo e eventual prorrogação de inquéritos.
Além disso, o relator analisará documento encaminhado com menções a autoridades com foro privilegiado. A depender do conteúdo, poderá manter o caso na Corte ou remetê-lo à Justiça Federal de primeira instância. A definição do foro é uma das decisões mais sensíveis nesta etapa.
Próximos passos no Supremo e definição processual
O novo relator também deverá avaliar o nível de sigilo processual das investigações. A manutenção ou flexibilização do acesso aos autos influencia tanto o ambiente político quanto a estratégia das defesas.
Outro ponto central envolve o inquérito sobre a operação de compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB), prorrogado até março. Paralelamente, tramita a segunda fase da operação Compliance Zero, deflagrada em janeiro e ligada a supostas fraudes financeiras.
Com isso, a condução passa a concentrar decisões sobre diligências, prazos e possíveis novas medidas cautelares. No STF, o relator exerce papel determinante na orientação da apuração.
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Mendonça convoca reunião em meio à apuração do INSS
O cenário ganha dimensão adicional porque o mesmo gabinete conduz a investigação sobre descontos associativos indevidos em aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Essa apuração examina suspeitas envolvendo crédito consignado e desvios em benefícios.
Há, segundo investigadores, indícios de intersecção entre operações financeiras sob análise no caso Master e estruturas de crédito ligadas ao INSS. A eventual conexão amplia o alcance institucional das decisões do relator.
Com a reunião técnica desta sexta, Mendonça convoca reunião não apenas para atualizar informações, mas para definir a arquitetura processual de dois dos inquéritos mais delicados em tramitação no Supremo. O desenho das próximas decisões poderá influenciar o ritmo das investigações e o ambiente político nas próximas semanas.