Banco Master: Mendonça aguarda relatório da PF para definir próximos passos

Mendonça aguarda relatório PF antes de decidir sobre o inquérito do Banco Master no STF. Relatoria ganha peso político em ano eleitoral e pode rever decisões anteriores.
Mendonça aguarda relatório PF sobre inquérito do Banco Master no STF
O ministro André Mendonça aguarda relatório da Polícia Federal antes de decidir sobre o inquérito que apura fraudes no Banco Master. Foto: Carlos Moura/STF/27-04-2023

Após assumir, na terça-feira (11/02), a relatoria do inquérito que apura suspeitas de fraudes no Banco Master, o ministro André Mendonça aguarda o relatório da PF (Polícia Federal) antes de tomar as primeiras decisões sobre o caso no Supremo Tribunal Federal (STF). O documento, que será enviado até o fim do mês, servirá de base para definir os próximos encaminhamentos da investigação.

O ministro assumiu a relatoria na semana passada, após o afastamento de Dias Toffoli. A mudança ocorreu em meio à pressão gerada por decisões anteriores no caso. Desde então, o novo relator optou por aguardar os dados consolidados da Polícia Federal antes de qualquer deliberação.

Mendonça aguarda relatório PF e pode revisar decisões

Ordens expedidas anteriormente poderão ser reavaliadas. No entanto, qualquer revisão dependerá da análise técnica do material produzido pelos delegados responsáveis pela investigação. O gabinete do ministro só deverá se pronunciar formalmente após examinar o relatório.

Para compreender o estágio da apuração, Mendonça realizou uma reunião virtual com os investigadores. No encontro, foram detalhadas a fase atual do inquérito, as diligências em andamento e os próximos encaminhamentos dentro da investigação criminal.

Relembre: Toffoli deixa relatoria e STF redefine condução do caso Banco Master

Troca na relatoria amplia peso institucional

Com a redistribuição do caso, o ministro passou a concentrar duas investigações de alta repercussão nacional. Além do caso envolvendo o Banco Master, ele também relata o inquérito que apura possíveis fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Essa segunda apuração examina suspeitas de desvios em aposentadorias e pensões de idosos durante os governos de Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo interlocutores que acompanham os processos, há expectativa de novas operações nos próximos meses.

Mendonça aguarda relatório PF em cenário eleitoral

Em ano eleitoral, o fato de que Mendonça aguarda relatório PF antes de deliberar amplia a sensibilidade institucional das investigações. As apurações podem alcançar integrantes do governo federal, partidos do centro e parlamentares da oposição, conforme avaliam fontes próximas aos casos.

No meio do ano, o ministro assumirá a vice-presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob gestão de Nunes Marques. A posição o colocará na cúpula da Justiça Eleitoral durante o pleito de outubro, o que reforça a relevância das decisões relacionadas ao inquérito.

Ao optar por aguardar a consolidação técnica da Polícia Federal, Mendonça sinaliza cautela processual em um caso que combina investigação financeira, supervisão do STF e calendário eleitoral. O desdobramento do caso, a partir do momento em que Mendonça aguarda relatório PF para decidir, poderá redefinir o ritmo das apurações e o alcance político das investigações.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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