Após assumir, na terça-feira (11/02), a relatoria do inquérito que apura suspeitas de fraudes no Banco Master, o ministro André Mendonça aguarda o relatório da PF (Polícia Federal) antes de tomar as primeiras decisões sobre o caso no Supremo Tribunal Federal (STF). O documento, que será enviado até o fim do mês, servirá de base para definir os próximos encaminhamentos da investigação.
O ministro assumiu a relatoria na semana passada, após o afastamento de Dias Toffoli. A mudança ocorreu em meio à pressão gerada por decisões anteriores no caso. Desde então, o novo relator optou por aguardar os dados consolidados da Polícia Federal antes de qualquer deliberação.
Mendonça aguarda relatório PF e pode revisar decisões
Ordens expedidas anteriormente poderão ser reavaliadas. No entanto, qualquer revisão dependerá da análise técnica do material produzido pelos delegados responsáveis pela investigação. O gabinete do ministro só deverá se pronunciar formalmente após examinar o relatório.
Para compreender o estágio da apuração, Mendonça realizou uma reunião virtual com os investigadores. No encontro, foram detalhadas a fase atual do inquérito, as diligências em andamento e os próximos encaminhamentos dentro da investigação criminal.
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Troca na relatoria amplia peso institucional
Com a redistribuição do caso, o ministro passou a concentrar duas investigações de alta repercussão nacional. Além do caso envolvendo o Banco Master, ele também relata o inquérito que apura possíveis fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Essa segunda apuração examina suspeitas de desvios em aposentadorias e pensões de idosos durante os governos de Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo interlocutores que acompanham os processos, há expectativa de novas operações nos próximos meses.
Mendonça aguarda relatório PF em cenário eleitoral
Em ano eleitoral, o fato de que Mendonça aguarda relatório PF antes de deliberar amplia a sensibilidade institucional das investigações. As apurações podem alcançar integrantes do governo federal, partidos do centro e parlamentares da oposição, conforme avaliam fontes próximas aos casos.
No meio do ano, o ministro assumirá a vice-presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob gestão de Nunes Marques. A posição o colocará na cúpula da Justiça Eleitoral durante o pleito de outubro, o que reforça a relevância das decisões relacionadas ao inquérito.
Ao optar por aguardar a consolidação técnica da Polícia Federal, Mendonça sinaliza cautela processual em um caso que combina investigação financeira, supervisão do STF e calendário eleitoral. O desdobramento do caso, a partir do momento em que Mendonça aguarda relatório PF para decidir, poderá redefinir o ritmo das apurações e o alcance político das investigações.