Suspeita de gravação de reunião dos ministros no STF eleva tensão e embate com a PF

Uma gravação vazada no STF elevou a tensão entre ministros e a Polícia Federal, revelando um embate sobre a investigação do ministro Dias Toffoli e o Banco Master. A situação, com um rombo de até R$ 55 bilhões, requer revisão dos protocolos de segurança. Descubra os desdobramentos dessa crise!
gravação no STF e tensão institucional entre Supremo e Polícia Federal
Dias Toffoli nega que tenha gravado a reunião secreta entre os ministros (Imagem Ilustrativa)

A suspeita de uma possível gravação em reunião reservada entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) abriu uma das discussões internas mais delicadas recentes na Corte. O episódio veio a público após o site Poder360 divulgar trechos atribuídos ao encontro realizado na quinta-feira (12/02), quando se discutiu a permanência do ministro Dias Toffoli na relatoria do caso Banco Master.

Nesta sexta-feira (13/02), Toffoli negou ter registrado a reunião. “É um fato absolutamente inverídico. Não houve nenhuma gravação da minha parte. Nada disso procede”, afirmou à Folha de S.Paulo. Ele acrescentou que nunca gravou conversas pessoais ou institucionais.

Até o momento, não há confirmação oficial de que tenha ocorrido qualquer gravação. O conteúdo tornado público decorre de publicação jornalística, cuja origem não foi esclarecida.

O que é o caso Master e por que ele importa

A reunião tratava do processo relacionado à liquidação do Banco Master, oficializada em novembro de 2025. A instituição financeira deixou um rombo estimado em R$ 55 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo que protege depositantes em caso de quebra bancária e é financiado pelo próprio sistema financeiro.

Por envolver cifras bilionárias e possíveis responsabilidades administrativas e criminais, o caso ganhou dimensão nacional. Toffoli era o relator do processo no STF, ou seja, o ministro responsável por conduzir os atos processuais e apresentar voto quando o tema fosse levado ao plenário.

O relatório de 200 páginas enviado pela Polícia Federal (PF) ao presidente do STF, Edson Fachin, poderia embasar um pedido de suspeição contra Toffoli. A suspeição é o instrumento jurídico utilizado quando se questiona a imparcialidade de um magistrado em determinado caso.

A reunião reservada e o ambiente interno

Segundo a publicação, a sessão foi descrita como tensa e politicamente sensível. Antes do encontro ampliado, houve uma conversa mais restrita, por volta das 13h30, com cinco ministros: Fachin, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia e o próprio Toffoli.

De acordo com o relato do veículo, Toffoli teria afirmado que, se a Corte decidisse por sua suspeição, ele poderia apresentar recursos, o que prolongaria o caso.

Ainda segundo o Poder360, Alexandre de Moraes teria declarado que votaria pela permanência de Toffoli e considerava “um absurdo” que a PF tivesse conduzido investigação envolvendo ministro do STF sem autorização judicial prévia.

Essa discussão envolve o chamado foro por prerrogativa de função. Ministros do STF só podem ser investigados mediante autorização do próprio tribunal. Se esse rito não for observado, as provas obtidas podem ser questionadas judicialmente.

O que foi dito na sessão ampliada

Na reunião maior, iniciada por volta das 15h, Fachin relatou ter recebido o relatório da PF e concedeu a palavra a Toffoli.

Segundo a matéria, o ministro afirmou que olharia “nos olhos” de Fachin e declarou “não ter nada a temer” quanto a seus negócios ou aos de sua família. Ele também teria sugerido a criação de um código de ética para o STF, desde que todos os ministros concordassem em divulgar suas declarações de Imposto de Renda e de familiares até o segundo grau.

“Inclusive abro as minhas contas bancárias. Mas isso é para estar no código de ética. Eu não vou abrir sozinho”, teria dito Tofolli.

Gilmar Mendes, ainda conforme o relato publicado, interveio: “Nós não estamos aqui para discutir Código de Ética”.

As críticas ao relatório da PF

Conforme o Poder360, Gilmar Mendes teria declarado que decisões anteriores de Toffoli no caso Master contrariaram interesses da Polícia Federal e que a corporação poderia estar reagindo.

Alexandre de Moraes, segundo a publicação, sustentou que a investigação seria “ilegal” caso não tivesse havido autorização judicial específica. O ponto central da divergência era a validade jurídica do relatório.

Cristiano Zanin afirmou, conforme o relato: “Sou há 1 ano e meio relator de um caso que envolve 3 ministros do STJ e a Polícia Federal até hoje mandou para mim muito menos informação do que essas 200 páginas, com fotos de satélite, cruzamento de celulares…? Isso aqui tudo é nulo.”

Ao dizer que o material seria “nulo”, Zanin indicava que, na sua interpretação, o relatório poderia não produzir efeitos jurídicos válidos.

Nunes Marques declarou: “Para mim, isso é um nada jurídico”, sinalizando que não via base legal suficiente para afastar Toffoli.

Luiz Fux afirmou: “O ministro Toffoli para mim tem fé pública. Meu voto é a favor dele. Acabou. Eu não sei o que vocês estão discutindo.”

A posição de Cármen Lúcia

Segundo o Poder360, Cármen Lúcia declarou que “todo taxista que eu pego fala mal do Supremo. A população está contra o Supremo”. A frase foi atribuída ao contexto de preocupação com a imagem institucional da Corte.

Embora tenha afirmado confiar em Toffoli, ela teria defendido que o caso fosse resolvido rapidamente, sugerindo sessão extraordinária antes do Carnaval para evitar desgaste prolongado.

A fala de Flávio Dino

De acordo com publicação, Flávio Dino classificou o relatório como “lixo jurídico”. Ele teria afirmado: “Essas 200 páginas para mim são um lixo jurídico. Não adianta discutir esse lixo jurídico. A crise hoje é política, presidente.”

Ao caracterizar o problema como político, Dino indicava que o debate extrapolava a técnica jurídica e envolvia preservação institucional.

Segundo o relato, ele sugeriu solução administrativa: uma nota conjunta declarando apoio a Toffoli e afirmando que não haveria suspeição.

O placar e a decisão final

Conforme divulgado pelo Poder360, o placar preliminar indicava oito ministros favoráveis à permanência de Toffoli na relatoria e dois contrários.

Apesar da maioria, prevaleceu a alternativa de redistribuir o processo ao ministro André Mendonça. Segundo o veículo, Toffoli teria afirmado: “Eu sei que a imprensa vai divulgar que eu fui retirado do processo. Eu preferia que fosse diferente, mas se for a decisão hoje para parar hoje… é melhor e eu aceito.”

Fachin, que teria defendido apreciação em plenário, aceitou o encaminhamento.

A menção à Black Wall Global

Durante a sessão, segundo o Poder360, houve referência à empresa Black Wall Global, descrita como atuante na área de inteligência digital e cibersegurança. A menção ocorreu no contexto da discussão sobre métodos de obtenção de dados em investigações envolvendo o Banco Master.

Não há informação oficial detalhando o papel da empresa no processo.

O que permanece sem confirmação da possível gravação dos ministros

Embora trechos tenham sido divulgados pelo Poder360, não há confirmação oficial sobre a existência de gravação da reunião. A Corte não esclareceu como o conteúdo se tornou público.

Assim, a suspeita de registro do encontro passou a integrar um cenário mais amplo de tensão institucional, que envolve o relatório da PF, o caso Master e a preservação da autoridade do Supremo.

Parlamentares do Centrão e da base do governo no Congresso, ouvidos pelo J1 News, avaliam que o cenário se tornou mais sensível diante da desconfiança exposta entre integrantes da mais alta Corte do país.

Quebra de confiança entre os membros do STF

Um ministro ouvido sob anonimato afirmou que chamou atenção o fato de apenas parte das falas transcritas divulgadas ter sido favorável a Dias Toffoli. Uma quebra de confiança. Nenhum negou o conteúdo.

Foto de Jackson Pereira Jr

Jackson Pereira Jr

Jackson Pereira Jr. é jornalista e empreendedor, fundador do Sistema BNTI de Comunicação. Integra a equipe editorial do J1 News, com produção de conteúdos e análises voltadas às editorias de política, economia, negócios, tecnologia e temas de interesse público. Também atua editorialmente no Economic News Brasil e no Boa Notícia Brasil.

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