Os gastos do deputados com viagens internacionais chamaram atenção após a divulgação de dados que mostram forte expansão das despesas da Câmara dos Deputados com diárias no exterior. Em 2025, o desembolso chegou a R$ 3,8 milhões, avanço de 78% frente a 2024. O crescimento ocorreu no primeiro ano da presidência de Hugo Motta e coincide com um ambiente de restrição fiscal e desgaste acumulado da percepção pública sobre o Legislativo.
Os números indicam também ampliação do alcance dessas despesas. Ao todo, 202 dos 513 deputados requisitaram diárias para missões oficiais em 2025, ante 153 no ano anterior. Nenhum destino nacional figura entre os dez mais recorrentes.
Conforme publicado pela Folha de São Paulo, as agendas internacionais se concentraram em Lisboa, Londres, Nova York, Roma, Genebra e Buenos Aires, cidades que sediam fóruns jurídicos, empresariais e políticos de caráter global. Vale ressaltar que, na comparação entre gastos dos deputados com essas viagens internacionais, nota-se crescimento expressivo.
Gastos do deputados com viagens internacionais e o recorte individual
Os dados mostram que os gastos ficaram concentrados em alguns deputados. Os maiores valores foram de Claudio Cajado (PP-BA), com R$ 68 mil; João Carlos Bacelar (PL-BA), com R$ 58 mil; Murilo Galdino (Republicanos-PB), com R$ 55,9 mil; e Pedro Paulo (PSD-RJ), com R$ 49,8 mil. O deputado carioca é o relator da PEC da Reforma Administrativa que debate redução das despesas públicas.
As missões oficiais seguem o Ato da Mesa 31/2012, que autoriza viagens a convite de Parlamentos e organismos internacionais. Os pedidos podem partir de deputados e comissões, o que amplia o número de deslocamentos e os gastos dos deputados com viagens internacionais.
O sistema de diárias da Câmara dos Deputados adota valores fixos, com diferenciação conforme o destino e o cargo ocupado, o que impacta diretamente os gastos do deputado, especialmente em viagens internacionais.
- Viagens nacionais: R$ 842 (P/dia)
- Viagens internacionais (América do Sul): US$ 391 (P/dia)
- Viagens internacionais (outros países): US$ 428 (P/dia)
- Presidente da Câmara – viagens nacionais: R$ 981 (P/dia)
- Presidente da Câmara – América do Sul: US$ 428 (P/dia)
- Presidente da Câmara – demais países: US$ 550 (P/dia)
Além disso, há um adicional de embarque e desembarque, limitado a um por missão, equivalente a 80% da menor diária, para cobrir deslocamentos. Essas regras explicam por que os valores finais aumentam mesmo em viagens curtas.
A verba de gabinete dos deputados federais, conhecidas como VDP, também são bastante questionadas pela falta de transparência no uso dos recusos.
Ausência de aferição de retorno institucional
A controvérsia não está na legalidade das viagens, mas na ausência de critérios públicos para avaliar resultados. Sem relatórios padronizados, metas mensuráveis ou comprovação de benefícios, os gastos dos deputados com viagens internacionais tendem a ser vistos como ineficientes pelo contribuinte.
Segue a versão mais curta e direta, com linguagem simples:O debate faz parte da crítica à qualidade do gasto público. Enquanto áreas como educação digital e políticas para inteligência artificial carecem de recursos, as despesas dos parlamentares avançam sem avaliação objetiva de retorno para o país.
Os gastos dos deputados com viagens internacionais viraram símbolo de decisões pouco explicadas. Sem avaliação clara dos resultados, o custo político dessas despesas supera possíveis ganhos institucionais e amplia a distância entre o Congresso e a sociedade.