Empresário Nelson Tanure vira réu por fraude em caso Gafisa–Upcon

O empresário Nelson Tanure vira réu após a Justiça Federal aceitar denúncia do MPF sobre fraude e uso de informação privilegiada na operação de compra da Upcon pela Gafisa.
Empresário Nelson Tanure vira réu após Justiça aceitar denúncia do MPF no caso Gafisa–Upcon
Empresário Nelson Tanure vira réu após decisão da Justiça Federal em denúncia do MPF sobre a operação Gafisa–Upcon. Foto: Léo Pinheiro/Folhapres

O empresário Nelson Tanure virou réu após a Justiça Federal de São Paulo aceitar denúncia do Ministério Público Federal (MPF) relacionada à operação de compra da construtora Upcon pela Gafisa. A decisão foi tomada na quarta-feira (28/01) e abre formalmente a ação penal contra o empresário e outros envolvidos.

A juíza Isabela Pardona, da 5ª Vara Criminal Federal, afirmou que a acusação apresenta elementos suficientes para o prosseguimento do processo. Segundo a magistrada, há provas da existência de fatos que, em tese, configuram infração penal, além de indícios de autoria atribuídos aos denunciados.

Empresário Nelson Tanure vira réu em denúncia do MPF

De acordo com o MPF, os fatos ocorreram entre 2019 e 2020 e envolvem a estruturação de operações financeiras que teriam inflado o valor da Upcon antes de sua incorporação pela Gafisa. A acusação sustenta que o objetivo era obter vantagem na relação de troca de ações, ampliando o poder de voto no capital da companhia compradora.

O órgão aponta que Tanure, então acionista relevante da Gafisa e integrante do conselho de administração, teria atuado em coordenação com outros empresários para viabilizar a operação. A denúncia descreve uso de informação privilegiada e estratégias de mercado consideradas irregulares pelo MPF.

Estrutura financeira e papel do Banco Master

A investigação atribui ao Banco Master a função de suporte financeiro da operação. Segundo o MPF, a instituição teria concentrado acionistas, garantias e instrumentos necessários para sustentar a engenharia societária utilizada no negócio.

A acusação também menciona o uso de offshores e do fundo Singular Plus como forma de ocultar participações e permitir a execução das transações. A acusação trata esses elementos como parte central da narrativa apresentada à Justiça Federal.

Trâmite institucional e risco de prescrição

O Supremo Tribunal Federal (STF) analisou o caso, mas devolveu o processo à Justiça Federal de São Paulo ao concluir que não havia vínculo direto que justificasse sua permanência na Corte.

O MPF chamou atenção para o risco de prescrição. Como os fatos são antigos e os acusados têm mais de 70 anos, a lei reduz o prazo de prescrição, o que pressiona o avanço rápido do processo.

Com a aceitação da denúncia, o empresário Nelson Tanure vira réu e o caso entra na fase de instrução. Nessa etapa, a Justiça colhe provas e ouve as defesas.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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