Depoimento dos Clinton no caso Epstein reacende disputa política no Congresso

O depoimento dos Clinton no Congresso ocorre após ameaça de desacato e expõe a disputa entre republicanos e democratas em torno da investigação sobre Jeffrey Epstein e o uso político da apuração.
Casal de lideranças democratas em aparição pública em meio à investigação do caso Epstein no Congresso
Ex-presidente dos Estados Unidos e ex-secretária de Estado aparecem juntos em evento público enquanto o Congresso avança na apuração do caso Jeffrey Epstein. Foto: JIM YOUNG / REUTERS

O depoimento dos Clinton passou a integrar formalmente a agenda do Congresso dos Estados Unidos nesta segunda-feira (02/02), segundo informações de um assessor do casal, após Bill e Hillary Clinton aceitarem comparecer ao Comitê de Supervisão da Câmara. A decisão ocorre após ameaça de votação por desacato, articulada por republicanos, e reposiciona a investigação sobre o caso Jeffrey Epstein no campo da disputa institucional.

A convocação prevê que Hillary Clinton depõe em 26 de fevereiro, enquanto Bill Clinton será ouvido no dia seguinte. Ambos foram intimados a prestar esclarecimentos a portas fechadas, formato contestado pelo casal, que defende audiências públicas como forma de evitar uso político da apuração.

Depoimento dos Clinton e a pressão por desacato

O Comitê de Supervisão aceitou o depoimento dos Clinton após recomendar, na semana passada, que o casal respondesse por desacato ao Congresso. A medida pode abrir caminho para acusações criminais, caso a Câmara aprove a iniciativa.

Segundo interlocutores democratas, Bill e Hillary já haviam se colocado à disposição para cooperar, mas resistiam à presença física em audiências fechadas. A leitura do entorno do casal é que a investigação estaria orientada mais por cálculo partidário do que por supervisão legislativa efetiva.

O presidente da Câmara, Mike Johnson, afirmou que o aceite representa um “avanço” e reiterou que o Congresso espera o cumprimento das intimações. Ele evitou, no entanto, confirmar se a votação por desacato será retirada da pauta.

Contexto político e acusações de uso partidário

Para os democratas, o comitê usa o depoimento dos Clinton em um ambiente de confronto político. A investigação mira adversários do presidente Donald Trump, embora o republicano também tenha mantido vínculos com Epstein e o comitê não o tenha convocado.

Bill Clinton disse que um depoimento a portas fechadas equivale a um julgamento informal, sem garantias de transparência. Hillary Clinton afirmou que já repassou ao comitê todas as informações solicitadas e que, se houver confronto político, ele deve ocorrer em público.

O vice-chefe de gabinete do casal, Angel Urena, reforçou que ambos já prestaram declarações sob juramento e que a decisão de comparecer busca estabelecer um padrão institucional aplicável a todos os intimados.

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Epstein Files e o alcance da investigação

O depoimento dos Clinton ocorre poucos dias após o Departamento de Justiça divulgar o último lote dos chamados Epstein Files, com mais de 3 milhões de documentos, fotos e vídeos relacionados ao financista, que morreu em 2019 sob custódia federal.

Bill Clinton aparece com frequência nos arquivos, sobretudo por ter viajado no avião de Epstein no início dos anos 2000, após deixar a Presidência. Ele afirma que as viagens tiveram caráter humanitário, ligadas à Fundação Clinton, e nega qualquer conhecimento de crimes.

Hillary Clinton declarou não ter mantido relação relevante com Epstein, nunca ter voado em sua aeronave e jamais ter visitado a ilha particular do financista. Até o momento, não há provas que impliquem criminalmente qualquer um dos dois.

Ao aceitar o depoimento dos Clinton, o casal desloca a investigação para um terreno mais exposto, no qual a transparência passa a ser parte da disputa política no Congresso americano.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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