CPMI do INSS cobra novo relator a devolução de dados sigilosos do Master

A CPMI do INSS solicita ao STF a devolução de documentos sigilosos do Banco Master após mudança na relatoria. Pedido pode redefinir acesso às provas e o rumo da investigação parlamentar.
Carlos Viana discursa no Senado sobre devolução de dados sigilosos à CPMI do INSS
O senador Carlos Viana, presidente da CPMI do INSS, defende no plenário a devolução dos dados sigilosos relacionados ao Banco Master. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) solicitou nesta sexta-feira (13/02) ao ministro André Mendonça, novo relator do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), a devolução dos dados sigilosos obtidos pela comissão. O pedido ocorre um dia após o magistrado assumir a relatoria, redistribuída depois que Dias Toffoli solicitou deixar o processo.

Os materiais envolvem quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico do Banco Master e de seu dono, Daniel Vorcaro. Por decisão anterior de Toffoli, os documentos foram transferidos à guarda do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), medida considerada incomum por parlamentares.

CPMI do INSS quer retomada dos documentos

O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que a devolução é necessária para assegurar o andamento das investigações parlamentares.

“Esses elementos são fundamentais para a continuidade dos trabalhos da CPMI, para a consolidação das provas já colhidas e para o avanço responsável do relatório final”, declarou.

Segundo ele, a comissão tem dever constitucional de apurar os fatos com respeito ao devido processo legal e transparência. A CPMI do INSS já havia feito pedido semelhante ao então relator, mas Toffoli informou que a liberação só poderia ocorrer após o término das investigações conduzidas pela Polícia Federal.

Leia também: Mendonça convoca reunião com PF e redefine rumo de apurações no STF

Novo relator e definição sobre sigilo judicial

Com a redistribuição, caberá a Mendonça avaliar o material já produzido e definir o grau de sigilo judicial do processo. O ministro também decidirá se o caso permanece no STF ou segue para a primeira instância da Justiça Federal, a depender da existência de autoridades com foro privilegiado.

Entre os documentos sob análise está um relatório da Polícia Federal que pode mencionar autoridades citadas em conversas com Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, preso em janeiro. A investigação apura suspeitas de fraude financeira envolvendo transações com o Banco de Brasília (BRB) e possíveis empréstimos consignados a aposentados e pensionistas.

Próximos passos da CPMI do INSS

Enquanto aguarda manifestação do relator, a CPMI do INSS mantém a agenda de oitivas. O depoimento presencial de Daniel Vorcaro está marcado para 26 de fevereiro. Além disso, Viana informou que pretende realizar audiência institucional com Mendonça após o Carnaval para tratar da cooperação entre os Poderes.

“Nossa relação com o ministro André Mendonça é muito boa, ele é muito técnico, e temos a esperança de que ele decida a nosso favor”, afirmou o senador.

A decisão do novo relator poderá redefinir o acesso às provas reunidas até aqui e influenciar o ritmo da investigação parlamentar. O posicionamento de Mendonça será determinante para o futuro da CPMI do INSS e para a delimitação das competências entre Congresso e Supremo.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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