CPI do crime organizado e Mercosul–UE pautam semana pré-Carnaval no Congresso

A CPI do crime organizado retoma depoimentos e amplia foco em lavagem de dinheiro, enquanto o Congresso abre a semana pré-Carnaval para iniciar a análise do acordo Mercosul–UE com foco e votações concentradas.
CPI do crime organizado retoma atividades no Congresso Nacional em Brasília
Sede do Congresso Nacional, onde a CPI do crime organizado retoma os trabalhos em semana pré-Carnaval marcada também pela análise do acordo Mercosul–UE. Foto: Freepik

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do crime organizado retoma o ritmo no Congresso nesta segunda-feira (09/02), em uma semana pré-Carnaval que concentra decisões e depoimentos já engatilhados. A estratégia dos líderes é clara: votar só o que está pacificado e deixar embates mais duros para depois do feriado.

Esse desenho encurta o plenário, mas não reduz o peso político da agenda. Além da volta da CPI, o Congresso abre espaço para iniciar a análise do acordo Mercosul–União Europeia já na terça-feira (10/02), num sinal de que a pauta econômica também entrou no pacote pré-Carnaval. A Representação Brasileira no Parlasul se reúne para analisar o texto assinado em janeiro, com votação do relatório do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP).

CPI do crime organizado: retomada com nove eixos

Com duração prevista de 120 dias, a CPI organiza os trabalhos em nove eixos, começando pela ocupação territorial ligada a tráfico, milícias e crimes ambientais. O plano inclui ainda sistema prisional, rotas de drogas e armas, corrupção ativa e passiva e um cardápio amplo de crimes, como contrabando, sonegação, extorsão e estelionato.

O eixo financeiro tende a ganhar tração por envolver lavagem de dinheiro com fintechs e criptomoedas, além do uso de atividades lícitas. Combustível, bebidas e setor imobiliário aparecem como áreas de interesse, pelo potencial de circulação e camuflagem de recursos.

Governadores na mira e integração policial na fronteira

A retomada da CPI também reabre a disputa em torno de governadores. Depois do cancelamento do depoimento de Ibaneis Rocha (DF), parlamentares indicam que a convocação formal segue no radar. A expectativa na semana pré-Carnaval é ouvir Raquel Lyra (PE) e Cláudio Castro (RJ).

No pano de fundo, o colegiado quer empurrar a agenda de coordenação entre forças de segurança, sobretudo em áreas de fronteira. A CPI inclui um eixo específico para discutir integração operacional e comparar experiências citadas como bem-sucedidas, além de mapear entraves de orçamento.

Comissão do crime organizado e pressão política pré-Carnaval

O governo defende a flexibilização comercial, mas grupos críticos afirmam que o modelo amplia a entrada de industrializados e reduz instrumentos de política produtiva. Se aprovado, o parecer segue para Câmara e Senado como projeto de decreto legislativo, com previsão de votação na Câmara no fim de fevereiro.

Ao juntar CPI do crime organizado e Mercosul–UE na semana pré-Carnaval, o Congresso tenta exibir tração sem abrir novas frentes de conflito. O recado é seletivo: acelerar o que já tem rito e calendário, e empurrar o que divide bancadas para depois do feriado.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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