O celular de Daniel Vorcaro passou a integrar o núcleo das investigações federais sobre o Banco Master após a Polícia Federal (PF) conseguir acessar integralmente o aparelho. O dispositivo, um iPhone de última geração, estava protegido por criptografia avançada e por uma camada adicional de segurança. Mesmo assim, a perícia técnica conseguiu extrair informações que agora serão organizadas para envio ao Supremo Tribunal Federal e à Procuradoria-Geral da República.
O acesso ocorreu após Vorcaro se recusar a fornecer a senha do aparelho durante depoimento. A negativa é amparada pelo direito de não produzir prova contra si, mas levou a PF a empregar softwares específicos, adquiridos recentemente, capazes de romper sistemas de proteção digital e recuperar dados apagados. Investigadores consideram o material relevante para esclarecer suspeitas que cercam a gestão e a atuação institucional do banco.
O que revela o celular de Daniel Vorcaro
A análise do celular de Daniel Vorcaro pode alcançar mensagens em aplicativos, registros de chamadas, documentos e históricos de contatos. Houve exclusão prévia de parte dos conteúdos, mas os sistemas utilizados reconstruíram arquivos e conversas. Segundo a PF, o objetivo é mapear fluxos financeiros, relações empresariais e eventuais interações com agentes públicos.
O caso envolve a liquidação do Banco Master pelo Banco Central no fim de 2025, em meio a suspeitas de irregularidades contábeis e fraudes. Além disso, a investigação apura se houve tentativas de pressão sobre autoridades para evitar a intervenção regulatória. Esse eixo torna o conteúdo do aparelho sensível do ponto de vista institucional.
Quebra de proteção e avanço técnico da PF
Especialistas explicam que a criptografia depende da força da chave utilizada. O especialista em tecnologia Adriano Ponte afirmou que “a criptografia é tão forte quanto a chave”, observando que dispositivos da Apple oferecem barreiras adicionais. Ainda assim, a PF conseguiu acessar o conteúdo com ferramentas desenhadas para dispositivos móveis recentes.
O emprego dessas tecnologias tem sido reservado a apurações complexas, nas quais a prova digital é central para reconstituir fatos. No caso do celular de Daniel Vorcaro, o avanço técnico amplia o escopo da investigação sem depender da colaboração do investigado.
Compartilhamento institucional e próximos passos
A Polícia Federal encaminhará o material ao STF e à PGR, que acompanham o inquérito diante da possibilidade de menções a autoridades com foro. O ministro Dias Toffoli deve autorizar o compartilhamento com a CPMI do INSS, que aguarda os dados para aprofundar sua linha de apuração.
Vorcaro deve prestar depoimento à comissão após o carnaval. A defesa sinalizou a intenção de restringir o alcance das respostas, mas o conteúdo já extraído pode alterar essa estratégia. Para investigadores, o celular de Daniel Vorcaro tende a orientar novas diligências e pedidos formais, redefinindo o ritmo e a profundidade do caso.