Cassação de Jorge Seif é rejeitada por unanimidade no TSE

A cassação de Jorge Seif foi rejeitada por unanimidade no TSE. Por 7 a 0, ministros entenderam que não houve prova robusta de abuso de poder econômico nas eleições de 2022.
Jorge Seif discursa após decisão sobre cassação de Jorge Seif no TSE
Senador Jorge Seif (PL-SC) durante pronunciamento após o TSE rejeitar por unanimidade o pedido de cassação por abuso de poder econômico nas eleições de 2022. Foto: Divulgação/Senado Federal

A cassação de Jorge Seif entrou em julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e os ministros decidiram, por unanimidade, manter o mandato do senador nesta quinta-feira (12/02). Por sete votos a zero, a Corte rejeitou o recurso que apontava abuso de poder econômico nas eleições de 2022.

O Tribunal confirmou a decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC), que já havia absolvido o parlamentar em novembro de 2023. Na ocasião, o TRE rejeitou o pedido de cassação em primeira instância. Agora, ao julgar o recurso apresentado pela coligação autora da ação, o TSE manteve o mesmo entendimento e encerrou o caso na instância superior.

Cassação de Jorge Seif e o padrão de prova no TSE

O relator, ministro Floriano de Azevedo Marques, afirmou que as provas apresentadas não comprovaram abuso de poder econômico. Segundo ele, os autos não demonstraram que o senador se beneficiou de financiamento empresarial ou de estrutura de campanha custeada por terceiros.

O ministro reconheceu que existe uma “zona cinzenta” sobre o meio de transporte utilizado na campanha. Ainda assim, declarou que os autos não permitem afirmar que Seif participou de voos em aeronaves da Havan. “Ausente prova robusta, deve-se privilegiar o sufrágio popular”, afirmou.

Leia aqui: Cassação de Jorge Seif expõe debate no TSE sobre provas para afastar mandato

Julgamento eleitoral sobre abuso econômico

A coligação formada por PSD, Patriota e União Brasil apresentou a ação. Os partidos sustentaram que Seif utilizou aeronaves do empresário Luciano Hang, além da estrutura de comunicação da Havan e apoio de sindicato patronal para impulsionar a campanha.

A presidente do TSE, Cármen Lúcia, acompanhou o relator. Ela afirmou que o processo trouxe provas indiciárias, mas não apresentou elemento conclusivo para justificar a perda de mandato. Os ministros Kassio Nunes Marques, André Mendonça, Estela Aranha, Antonio Carlos Ferreira e Villas Bôas Cueva votaram no mesmo sentido.

Cassação de Jorge Seif e os efeitos políticos

Com a decisão, o TSE reafirmou que exige lastro probatório consistente para decretar a anulação do mandato. O relator destacou que a produção de provas testemunhais e materiais deveria ter ocorrido na instância de origem, durante o trâmite do recurso eleitoral.

Em nota, o senador reagiu ao resultado. Ele declarou: “Hoje não venceu um político. Hoje venceu o voto do povo.” Em outro trecho, afirmou: “Não houve irregularidade. Não houve crime.” Ao rejeitar a cassação de Jorge Seif, a Corte consolidou o entendimento de que a perda de mandato depende de comprovação inequívoca quando se discute abuso econômico.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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