Os bastidores da saída de Dias Toffoli revelam que a decisão não nasceu de um voto, mas de uma articulação interna para preservar a imagem do Supremo Tribunal Federal (STF). A reunião convocada pelo presidente Luiz Edson Fachin, na tarde de quinta-feira (12/02), foi o espaço onde se consolidou uma solução negociada.
O encontro começou por volta das 16h40, na sala da Presidência. Ali, o relatório da Polícia Federal e a Arguição de Suspeição nº 244 foram apresentados como elementos de risco institucional, não apenas jurídico.
Ao deixar a reunião, Toffoli foi questionado por jornalistas sobre o ambiente do encontro e afirmou que o clima foi “excelente” e que as decisões ocorreram de forma “unânime”.
Bastidores da saída de Toffoli e o risco reputacional
Fontes ouvidas pelo J1 relataram que o ambiente inicial foi tenso. Dias Toffoli sustentou que não praticou qualquer ilegalidade e reafirmou sua imparcialidade na condução do inquérito. Também negou vínculo de amizade com Daniel Vorcaro.
No entanto, segundo esses relatos, a discussão ultrapassou o mérito técnico. Ministros teriam destacado o impacto da controvérsia sobre a credibilidade institucional da Corte. O ponto central não era apenas a suspeição formal, mas o custo político da permanência.
Nesse contexto, a alternativa construída evitava dois riscos simultâneos: declarar impedimento — o que poderia fragilizar decisões já tomadas — ou manter a relatoria sob contestação pública contínua.
Pressão colegiada e solução negociada
Os bastidores da saída de Toffoli indicam que houve resistência inicial à proposta de redistribuição. Conforme as fontes, o ministro não esperava encontrar posição majoritária pela mudança.
Participaram presencialmente da reunião Luiz Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, André Mendonça, Nunes Marques, Cristiano Zanin e Flávio Dino, além do próprio Toffoli. Luiz Fux acompanhou por videoconferência enquanto se recupera de pneumonia.
A solução adotada combinou dois movimentos estratégicos: rejeição formal da suspeição e transferência voluntária da relatoria. Assim, preservaram-se os atos processuais já praticados e reduziu-se a pressão institucional.
Bastidores da saída de Toffoli e a engenharia institucional
Os bastidores da saída de Toffoli mostram que o Supremo optou por administrar a crise dentro de seus próprios mecanismos. A redistribuição ocorreu sem reconhecimento de impedimento e sem ruptura colegiada.
Ao validar os atos anteriores e, simultaneamente, alterar a condução futura do processo, a Corte sinalizou prioridade à estabilidade interna. A estratégia permitiu neutralizar questionamentos formais e reorganizar o controle da causa.
O episódio evidencia como o STF conduziu uma situação sensível priorizando critérios institucionais.Os bastidores da saída de Toffoli indicam que, diante da pressão pública, o tribunal optou por reorganizar a condução do caso de forma a preservar sua estabilidade interna.
Caso o processo seja redistribuído ao gabinete de Alexandre de Moraes, interlocutores do tribunal avaliam que poderá haver novos questionamentos públicos, diante de contrato de assessoria jurídica do escritório da esposa do ministro com o Banco Master. Nessas circunstâncias, caberia ao próprio magistrado examinar eventual impedimento, conforme as regras processuais.