Oposição formaliza nova ação pedindo afastamento de Toffoli

O afastamento de Toffoli ganha novo capítulo após ação protocolada na PGR um dia depois do pedido da PF, ampliando a pressão da oposição sobre o STF no caso Banco Master.
Afastamento de Toffoli no STF após pedido da oposição e ação da PF
Dias Toffoli durante sessão no Supremo Tribunal Federal; oposição formalizou nova ação pedindo seu afastamento da relatoria do caso Banco Master. Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES

A oposição apresentou nesta quinta-feira (12/02) uma nova ação na Procuradoria-Geral da República para pedir o afastamento de Toffoli da relatoria do inquérito que investiga o Banco Master. A iniciativa ocorre um dia após a Polícia Federal (PF) solicitar a declaração de suspeição do ministro, depois de identificar menções a ele no celular de Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira.

O pedido foi protocolado pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ), que defende a redistribuição da ação penal a outro integrante do Supremo Tribunal Federal (STF). No documento, ele argumenta que a medida busca preservar a credibilidade da Corte e a segurança jurídica do processo.

Afastamento de Toffoli entra em nova fase no Supremo

A Polícia Federal entregou na quarta-feira (11/02) relatório ao presidente do STF, Edson Fachin, apontando referências ao ministro em material apreendido. A corporação requereu a declaração de suspeição. Caberá a Fachin decidir os próximos passos administrativos.

Em nota, o gabinete de Toffoli afirmou que o pedido se baseia em “ilações”. O ministro declarou que não mantém amizade com Vorcaro nem recebeu valores do empresário. A defesa sustenta que não há elemento que justifique a retirada da relatoria.

Confira: Celular de Daniel Vorcaro menciona Toffoli e PF aciona Fachin

Pedido de suspeição amplia ofensiva parlamentar

O novo pedido apresentado à PGR menciona apuração sobre fluxo financeiro ligado a fundo que adquiriu o Resort Tayayá, no Paraná. Toffoli admitiu ser sócio da empresa que vendeu o empreendimento, mas negou relação com o dono do Banco Master.

Em janeiro, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, arquivou três pedidos anteriores de suspeição. À época, afirmou que o caso já estava sob apuração regular no STF e que não havia providência a adotar. A PGR ainda não se manifestou sobre a nova representação.

Paralelamente, parlamentares intensificaram a pressão política. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) anunciou que a CPI do Crime Organizado votará requerimentos após o Carnaval. O presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, afirmou que a legenda apresentará novo pedido de impeachment. Já o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) declarou que o texto está em elaboração.

Afastamento de Toffoli e os reflexos institucionais

A Transparência Internacional – Brasil defendeu que o ministro seja afastado e investigado, argumentando que a medida garantiria investigações sem risco de interferência. A decisão final, contudo, depende da análise interna do Supremo e da manifestação da PGR.

O debate sobre o afastamento de Toffoli envolve temas como suspeição de magistrado, relatoria no STF, inquérito criminal, segurança jurídica, credibilidade institucional, Procuradoria-Geral da República, Polícia Federal, fundo de investimento, fluxo financeiro investigado e governança judicial. O desfecho poderá redefinir a condução do caso Banco Master e influenciar a relação entre Supremo e Congresso.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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