O vício em redes sociais levou Mark Zuckerberg diante de um júri em Los Angeles nesta quarta-feira (18/02). O CEO da Meta Platforms, que também controla plataformas como WhatsApp e Instagram, depõe sobre o impacto do Instagram na saúde mental de jovens, em um processo que pode resultar em indenizações relevantes.
Diferentemente de audiências no Congresso, o julgamento atual envolve responsabilização civil direta e possível impacto financeiro à companhia, caso seja considerada culpada.
A ação foi movida por uma mulher da Califórnia que afirma ter começado a usar Instagram e YouTube ainda criança. Segundo a acusação, as plataformas teriam estruturado algoritmos, além de mecanismos de engajamento para ampliar tempo de uso e receita publicitária, mesmo diante de discussões internas sobre riscos psicológicos para adolescentes.
Além disso, ela atribui ao seu vício em redes sociais episódios de depressão e pensamentos suicidas. Meta e Google, porém, negam as alegações e citam análises das Academias Nacionais de Ciências que não estabelecem relação causal comprovada entre redes sociais e danos mentais.
Vício em redes sociais amplia pressão regulatória internacional
O julgamento, inclusive, ocorre em um ambiente de maior intervenção estatal. Em 2026, a França aprovou lei que proíbe acesso a redes sociais para menores de 15 anos, com exigência de verificação etária pelas plataformas. Além disso, a Irlanda anunciou proposta semelhante para menores de 16 anos, caso não haja harmonização regulatória na União Europeia.
Já a Rússia mantém desde semana passada bloqueios a Facebook e Instagram, além de confirmar restrições ao WhatsApp.
Nesse cenário, o vício em redes sociais ultrapassa o debate comportamental e assume dimensão econômica. A combinação de ações judiciais e pressão política amplia riscos para o modelo baseado em publicidade digital, engajamento e expansão global de usuários, afetando, assim, a Meta e o setor de tecnologia e investidores.