Banco Central já tem recursos separados para ressarcimento aos clientes do Will Bank, diz diretor

O ressarcimento clientes Will Bank já tem recursos separados no BC. O caso testou contas pré-pagas e puxou debate sobre FGC, liquidez e regras do sistema financeiro.
Ressarcimento clientes Will Bank com recursos separados no Banco Central
Banco Central afirma que recursos para ressarcir clientes do Will Bank estão segregados após a liquidação. (Foto; Reprodução/Will Bbank)

O processo de ressarcimento para clientes Will Bank já conta com recursos separados no Banco Central, afirmou nesta segunda-feira (09/02) o diretor de Normas da autarquia, Gilneo Astolfi Vivan. Segundo ele, os valores de contas pré-pagas mantidos por clientes da instituição, liquidada neste ano, ficaram custodiados em uma conta no próprio BC.

A declaração ocorreu em evento da Associação Brasileira dos Bancos (ABBC). Na ocasião, Vivan classificou o caso como o primeiro teste de grande escala do arranjo das contas pré-pagas e afirmou que todos os 7 milhões de clientes serão ressarcidos com os recursos já segregados.

Ressarcimento clientes Will Bank e o teste das contas pré-pagas

O diretor de Normas também disse que o ressarcimento de clientes Will Bank expõe desafios práticos para o regulador porque contas pré-pagas não são depósitos bancários tradicionais. Isso, segundo ele, exige rotinas operacionais diferentes das liquidações em que o fluxo passa pelo sistema típico de depósitos e garantias.

A escala agravou a complexidade. O Will Bank reúne cerca de 7 milhões de clientes, patamar que não existia em liquidações mais antigas. Vivan comparou com o caso do Banco Master, de Daniel Vorcaro, que envolveu quase 1 milhão de clientes. Além disso, citou a inclusão digital como vetor que elevou o número de pessoas atingidas.

Proteção do depositante e revisão de regras

Vivan afirmou que o sistema financeiro brasileiro conseguiu proteger o chamado depósito popular, citando o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) na cobertura dos depositantes do Banco Master. No mesmo comentário, ele reconheceu que a resposta institucional às liquidações recentes levou mais tempo do que o desejado e avaliou que há lições operacionais a absorver.

O diretor adiantou que o BC vai incluir na agenda de 2026 e 2027 a revisão de algumas regras do FGC. E, além disso, de normas para distribuição de títulos e maior transparência na remuneração de intermediários. Ele também mencionou medidas para combater fraudes e disse que a intenção é organizar esse pacote regulatório até meados de março.

Por que o Banco Central liquidou o Will Bank

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank em 21 de janeiro de 2026, assim como foi apurado em primeira mão pelo Economic News Brasil, após concluir que a instituição não reunia mais condições econômico-financeiras para continuar operando. A decisão interrompeu as atividades do banco digital e iniciou o processo formal de encerramento.

Com a liquidação, o BC assumiu a condução do tratamento dos valores mantidos em contas pré-pagas. O que, no entanto, não são cobertas pelo modelo tradicional de depósitos bancários. Por isso, os recursos foram segregados em conta específica no próprio Banco Central para viabilizar o ressarcimento aos clientes.

Ressarcimento aos clientes do Will Bank acompanha plano de liquidez do BC

Segundo Vivan, os casos do Master e do Will Bank não produziram efeito relevante na captação de bancos pequenos e médios. Para ele, a ausência de mudança nesses indicadores sugere que os episódios ficaram circunscritos às instituições envolvidas, sem contágio perceptível no restante do mercado.

O BC também trabalha em um plano para reforçar a liquidez de bancos menores, ampliando os ativos aceitos como garantia em linhas emergenciais. Além de títulos do Tesouro, o diretor citou debêntures e Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), condicionadas à criação de um sistema de depósito dessas CCBs, e defendeu regulação mais focada na atividade do que no tipo de instituição.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

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