Empresas multadas pela Anatel poderão converter multas em internet para universidades

Empresas multadas pela Anatel poderão converter R$ 29 milhões em multas em conectividade para 118 unidades de universidades públicas, ampliando a infraestrutura digital via RNP no país. Saiba mais.
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Decisão permite que empresas multadas pela Anatel convertam multas em conectividade para instituições federais. (Foto: Divulgação/Anatel)

As empresas de telecomunicação multadas pela Anatel poderão converter R$ 29 milhões em sanções em conectividade para 118 unidades de universidades públicas e institutos federais, distribuídas em 72 municípios. A decisão foi aprovada pelo Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e altera o destino de penalidades aplicadas às operadoras.

A medida envolve 39 instituições de ensino superior e alcança as empresas Telefônica, Claro, Tim e Sky. Portanto, em vez de recolher os valores das multas, as companhias poderão assumir a obrigação de conectar as unidades por meio da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), responsável pela infraestrutura acadêmica de alta capacidade no país.

Empresas multadas pela Anatel e a conversão das sanções

O conselheiro da Anatel, Octavio Pieranti afirmou que a decisão determina que as empresas prestadoras multadas pela Anatel conectem as unidades à internet via RNP. Segundo ele, a iniciativa busca integrar áreas isoladas dentro dos campi que ainda não participam da rede acadêmica nacional.

Caso não queiram aderir ao modelo, as empresas multadas pela Anatel poderão manter o pagamento tradicional da multa. Nessa hipótese, porém, deixam de acessar o desconto de 5% previsto nas regras de conversão. A escolha coloca as teles diante de duas alternativas regulatórias com efeitos financeiros distintos.

Infraestrutura digital no ensino superior federal

Além das 118 unidades mapeadas, há menção a outras 226 que podem demandar conectividade. Pieranti declarou que não haverá prioridade regional fixa. O critério adotado será de diversidade geográfica.

Na prática, cada empresa multada pela Anatel que aderir deverá selecionar unidades em macroregiões diferentes a cada nova implantação. A lógica, portanto, pretende distribuir a infraestrutura digital, ampliar o acesso à internet de alta velocidade e fortalecer a integração acadêmica entre universidades públicas e institutos federais.

A decisão também insere a regulação do setor de telecomunicações no debate sobre conectividade educacional, investimento em rede pública, uso de sanções administrativas e expansão da rede nacional de dados. Em vez de encerrar o processo na punição financeira, a agência direciona os recursos para suprir lacunas tecnológicas no ensino superior.

Empresas multadas pela Anatel e o alcance regulatório

Ao permitir que penalidades se transformem em obrigação de infraestrutura, a Anatel utiliza seu poder fiscalizador como instrumento de indução de investimento. A medida, portanto, busca preservar a responsabilização das telecomunicadoras, mas redefine o destino econômico das multas regulatórias.

No contexto de expansão do ensino híbrido, da pesquisa científica e da demanda por dados em larga escala, o alcance efetivo dependerá da adesão das companhias e da execução técnica via RNP. Ainda assim, a decisão estabelece precedente sobre como as empresas multadas pela Anatel podem participar diretamente da ampliação da conectividade universitária no país.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

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