As canetas emagrecedoras devem responder por até 20% da receita das grandes redes de farmácia até 2030, segundo estimativa do Itaú BBA. A projeção indica que medicamentos como Ozempic e Mounjaro deixaram de ser nicho terapêutico e passaram a ocupar posição estratégica no varejo farmacêutico.
Atualmente, o mercado brasileiro desses produtos movimenta cerca de R$ 10 bilhões. O banco, portanto, projeta que o volume pode atingir R$ 50 bilhões até o fim da década, com expansão média anual de 40%, sustentada por fatores demográficos e ampliação da prescrição médica.
Canetas emagrecedoras ampliam escala no varejo farmacêutico
Os números do comércio exterior ajudam a dimensionar a velocidade dessa expansão. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que, desde 2019, o Brasil importou US$ 4,6 bilhões em medicamentos classificados como hormônios polipeptídicos, grupo que inclui os agonistas de GLP-1.
Somente em 2025, as compras externas somaram US$ 1,6 bilhão, avanço de 459% em sete anos. Esse ritmo reforça como as canetas emagrecedoras passaram a ocupar espaço relevante na pauta de consumo de saúde. Inclusive, com impacto direto sobre importações, logística e negociação com fabricantes.
Levantamento da Rock Encantech, baseado em 22,4 milhões de transações, indica que o faturamento do setor com os medicamentos para obesidade cresceu 79,7% em 2025. O resultado decorreu da combinação entre aumento de 26% no volume vendido e elevação de 43% no preço médio. Além disso, segundo a consultoria, 63% dos usuários são mulheres.
O ritmo acelerado de expansão da categoria, no entanto, também levou o ambiente regulatório a reforçar mecanismos de controle da comercialização desses produtos.
Expansão das canetas emagrecedoras ocorre sob regras da Anvisa
Apesar do avanço acelerado, as canetas emagrecedoras são medicamentos regularizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e classificados como produtos sujeitos à prescrição médica. Marcas como Ozempic, Wegovy e Mounjaro possuem registro sanitário e só podem ser comercializadas dentro das regras estabelecidas pelo órgão regulador.
Desde 2025, a Anvisa passou a exigir retenção de receita médica para a dispensação desses produtos nas farmácias. A medida impõe controle mais rígido sobre a venda, restringe a comercialização sem prescrição e busca garantir acompanhamento clínico, o que molda a expansão do mercado e a atuação das redes.
Mercado de terapias com GLP-1 entra em nova fase competitiva
O calendário regulatório adiciona outro elemento à equação: em 20 de março de 2026, expira a patente da semaglutida. Portanto, o Itaú BBA estima redução inicial de 30% nos preços, podendo alcançar 50% em cinco anos, o que tende a ampliar o acesso às canetas emagrecedoras.
Mesmo com recuo nos valores, o banco avalia que o ganho de escala pode sustentar a margem operacional das grandes redes. Rodrigo Gastim, analista de consumo e varejo do Itaú BBA, afirma que o país reúne condições favoráveis para a expansão da categoria.
Canetas emagrecedoras e a redistribuição de receita no setor
A estrutura do mercado favorece os grandes grupos. A RaiaDrogasil, que detém 17% do mercado total de farmácias, concentra cerca de 30% das vendas de agonistas de GLP-1, segundo o Itaú BBA.
Com esse avanço, as canetas emagrecedoras deixam de representar apenas uma tendência terapêutica e passam a influenciar diretamente a participação de mercado e o desenho competitivo do setor. Portanto, se as projeções se confirmarem, o produto deve consolidar um novo eixo de receita para o varejo farmacêutico brasileiro na próxima década.