Arena do Corinthians tem pagamentos travados após liquidação ligada ao Banco Master

A Arena do Corinthians enfrenta atraso no pagamento a fornecedores após o bloqueio do fundo imobiliário ligado ao estádio, consequência da liquidação da gestora Reag Trust pelo Banco Central. Continue lendo e saiba mais.
Arena do Corinthians em Itaquera, na zona leste de São Paulo
A Arena do Corinthians, em Itaquera, segue operando normalmente apesar do bloqueio do fundo imobiliário que sustenta financeiramente o estádio. (Foto: Divulgação/Corinthians)

A Neo Química Arena, conhecida como Arena do Corinthians, localizada em Itaquera, na zona leste de São Paulo, passou a enfrentar atrasos no pagamento de fornecedores após a liquidação da gestora Reag Trust, decretada pelo Banco Central em 15 de janeiro (15/01). A medida levou ao bloqueio das contas do Arena Fundo de Investimento Imobiliário (FII), estrutura responsável por sustentar financeiramente o estádio.

Desde 14 de janeiro, o fundo não consegue realizar movimentações financeiras. Como consequência, os repasses a empresas contratadas para a operação cotidiana do estádio ficaram suspensos. Até então, a Reag Trust administrava o Arena FII, mas perdeu essa condição após ter seus bens bloqueados no processo de liquidação conduzido pela autoridade monetária.

Arena do Corinthians tem fundo bloqueado e trava repasses

A liquidação da Reag ocorre no contexto de uma investigação da Polícia Federal sobre fundos inflados artificialmente, ligados a operações do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. Com a saída da gestora, o Arena FII ficou sem representante legal habilitado para autorizar transferências, assinar atos de gestão ou liberar pagamentos ligados à Arena do Corinthians.

O diretor financeiro do clube, Emerson Piovesan, confirmou o impacto da paralisação. Segundo ele, a impossibilidade de movimentar as contas do fundo afeta temporariamente o pagamento de fornecedores da Arena do Corinthians desde 14 de janeiro. O dirigente, no entanto, não informou o volume financeiro envolvido nem quantos contratos foram atingidos.

Estrutura financeira da arena

O Arena FII foi estruturado para captar recursos junto a cotistas e, assim, financiar a construção da Arena do Corinthians. Em contrapartida, o fundo detém os direitos econômicos do estádio. Entre eles estão bilheteria de jogos, camarotes, cadeiras especiais, eventos, publicidade, estacionamento e naming rights associados à Arena do Corinthians.

Na prática, o Corinthians atua como operador do negócio. O clube vende ingressos, organiza partidas, administra eventos, restaurantes e visitas guiadas, além de contratar serviços e arcar com despesas correntes. Após a apuração das receitas geradas pela Arena do Corinthians, o clube realiza os repasses ao fundo, que remunera os cotistas e efetua os pagamentos devidos.

No balanço mais recente, o Arena FII registra R$ 99,6 milhões em “receitas operacionais a receber” do Sport Club Corinthians Paulista. Esse valor reflete justamente o intervalo entre a arrecadação das receitas e o repasse ao fundo, conforme previsto na estrutura contratual.

Mesmo com bloqueio, Arena do Corinthians mantém funcionamento

Apesar do atraso nos repasses a fornecedores, a Arena do Corinthians segue operando normalmente. Segundo Piovesan, o clube não enxerga qualquer cenário que indique interrupção das atividades do estádio.

As partidas do time profissional também não sofreram impacto. O próprio clube realiza a arrecadação de bilheteria e o pagamento das despesas relacionadas aos jogos. Enquanto isso, a diretoria trabalha para anunciar em breve um novo gestor do Arena FII, mantendo a operação regular da Arena do Corinthians.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

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