Em meio à repercussão negativa de um vídeo com teor racista publicado em suas redes sociais, Donald Trump diz que não errou ao comentar o episódio publicamente na sexta-feira (06/02). A declaração foi feita a jornalistas a bordo do Air Force One, na primeira manifestação direta do presidente após críticas de aliados e adversários, mesmo com o próprio governo admitindo que a publicação ocorreu por falha interna.
Segundo Trump, ele não assistiu ao vídeo completo antes da postagem e avaliou apenas o início do material, que tratava de alegações de fraude eleitoral em 2020. Ainda assim, afirmou que não pretende pedir desculpas e sustentou que a falha ocorreu porque o trecho final não teria sido revisado por sua equipe.
Trump diz que não errou e transfere responsabilidade
Questionado por jornalistas, Trump diz que não errou ao reiterar que “olha milhares de coisas” diariamente e ao afirmar não ter identificado problema no conteúdo inicial do vídeo. Em seguida, afirmou que retirou a publicação do ar ao tomar conhecimento da parte final. O trecho retrata os Obamas com imagens de macacos por cerca de um segundo, segundo ele sem relação com o conteúdo principal do vídeo.
O presidente afirmou ainda que sua equipe não produziu o vídeo, apenas o republicou, e voltou a negar falha pessoal ao dizer que alguém “deixou passar um detalhe pequeno”. A versão reforça a estratégia de deslocar a responsabilidade para auxiliares, sem admitir falha direta na decisão presidencial.
A Casa Branca, por sua vez, apresentou versões distintas ao longo do dia. Inicialmente, a porta-voz Karoline Leavitt classificou a repercussão como “indignação falsa” e descreveu o conteúdo como um “meme da internet”. Horas depois, o governo informou que a postagem teria sido um erro cometido por um funcionário.
Confira: Governo Trump admite erro após postar vídeo racista sobre o casal Obama
Reações internas ampliam desgaste político
A recusa em recuar gerou críticas que ultrapassaram a oposição democrata. Parlamentares republicanos também condenaram o episódio. O senador Tim Scott, único republicano negro em exercício no Congresso, afirmou tratar-se da manifestação mais racista já associada à Casa Branca.
O deputado Mike Lawler classificou a publicação como ofensiva, independentemente de intenção, e defendeu um pedido formal de desculpas. Já o gabinete do governador da Califórnia, Gavin Newsom, descreveu o episódio como comportamento repugnante do presidente.
Trump diz que não errou em meio a cenário eleitoral sensível
O episódio ocorre enquanto, no plano político, Trump diz que não errou e mantém a disseminação de acusações já desmentidas sobre a eleição de 2020, incluindo alegações contra a Dominion Voting Systems, em um ambiente de crescente desgaste para o Partido Republicano.
Esse contexto se soma a sinais recentes de tensão eleitoral, com derrotas republicanas em disputas locais e alertas sobre a fragilidade da maioria no Congresso. No plano político, Trump diz que não errou ao manter a negativa pública, mesmo diante do desgaste interno e das críticas de aliados.