Programa nuclear iraniano entra em nova rodada decisiva

O Programa nuclear iraniano entra em nova rodada em Genebra sob cobrança da ONU, pressão militar dos EUA e risco ao petróleo no Estreito de Ormuz. Sanções e inspeções da AIEA travam o acordo.
Programa nuclear iraniano: Majid Takht-Ravanchi fala sobre negociações em Genebra
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Majid Takht-Ravanchi, afirma que Teerã está disposto a negociar limites do programa nuclear iraniano em troca da retirada de sanções dos EUA. Foto: Shannon Stapleton/Reuters

O programa nuclear iraniano voltou ao centro da diplomacia internacional após Teerã afirmar que aceita discutir limites técnicos em troca da retirada de sanções econômicas. A declaração do vice-ministro Majid Takht-Ravanchi à BBC ocorreu enquanto uma nova rodada de negociações acontece em Genebra, sob pressão militar dos Estados Unidos.

Segundo Takht-Ravanchi, “a bola está nas mãos dos Estados Unidos”. Ele afirmou que, se Washington demonstrar intenção real de acordo, o diálogo poderá avançar. Ainda assim, o governo iraniano mantém como linha inegociável o direito ao enriquecimento de urânio em território nacional, que define como parte de um programa com fins civis.

Programa nuclear iraniano e a pressão militar

As conversas ocorrem em paralelo ao reforço estratégico americano no Oriente Médio. O presidente Donald Trump ordenou o envio de um segundo porta-aviões, somando-se ao USS Abraham Lincoln e a sistemas de mísseis guiados já posicionados na região.

Além disso, autoridades americanas admitem preparar cenários militares caso as negociações fracassem. Em junho, após ataques israelenses, os EUA realizaram bombardeios contra instalações iranianas. Trump declarou que as ações “aniquilaram” capacidades nucleares, mas a extensão dos danos não foi detalhada por organismos independentes.

Relembre: Irã e EUA negociam acordo nuclear após rodada reservada em Omã

Supervisão da ONU e impasse técnico

O programa atômico de Teerã também está sob escrutínio direto da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão vinculado à ONU responsável por monitorar atividades nucleares. Antes da rodada em Genebra, o chanceler Abbas Araqchi reuniu-se com o diretor da agência, Rafael Grossi.

A AIEA cobra esclarecimentos sobre 440 kg de urânio altamente enriquecido e pede a retomada completa das inspeções nucleares em Natanz, Fordow e Isfahan, locais atingidos nos ataques de junho. Segundo o Ministério das Relações Exteriores iraniano, Araqchi apresentou o ponto de vista técnico de Teerã e discutiu formas de cooperação com a agência.

Araqchi afirmou buscar um acordo “justo e equilibrado” e declarou que “não está em negociação a submissão diante de ameaças”. Já o secretário de Estado Marco Rubio disse que alcançar um entendimento será difícil, embora Washington priorize uma solução diplomática.

Programa nuclear iraniano e risco energético global

A disputa também alcança o mercado internacional. O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% dos fluxos energéticos globais, tornou-se ponto sensível após exercícios da Guarda Revolucionária no Golfo.

Segundo o site Axios, Trump e Benjamin Netanyahu discutiram formas de reduzir exportações iranianas à China, destino de mais de 80% do petróleo de Teerã. Netanyahu defendeu que qualquer acordo inclua o desmantelamento da infraestrutura nuclear, não apenas a suspensão do enriquecimento.

O programa nuclear iraniano, portanto, permanece no centro de uma equação que combina pressão militar, fiscalização da ONU, sanções e estabilidade do mercado de energia. O desfecho das conversas em Genebra indicará se diplomacia e dissuasão podem coexistir sem nova escalada regional.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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