A saída de procuradores do Departamento de Justiça (DOJ) dos Estados Unidos (EUA) começou após o retorno de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025, e vem se intensificando no início de 2026. Dados oficiais indicam que procuradores do DOJ EUA deixaram o órgão em volume fora do padrão ao longo desse período, em meio a ordens internas que provocaram resistência e pedidos de demissão, segundo registros do Office of Personnel Management citados pela Reuters em (29/01).
Desse total, pouco mais de 200 foram demitidos nos primeiros dias do governo por terem atuado em investigações envolvendo Trump. Os demais pediram demissão ou se aposentaram após discordar de ordens diretas da procuradora-geral Pamela Bondi. Entidades como a American Bar Association apontam dificuldade crescente para atrair novos quadros.
Procuradores do DOJ EUA e o caso Minnesota
A crise ganhou contornos mais visíveis em Minnesota, onde confrontos entre manifestantes e agentes federais resultaram em mortes. Após o DOJ se recusar a investigar possíveis violações de direitos civis cometidas por agentes do ICE, 14 procuradores federais do distrito de Minneapolis renunciaram entre janeiro e fevereiro.
O episódio mais sensível ocorreu em 7 de janeiro de 2026, quando o agente Jonathan Ross matou Renée Nicole Good. O governo federal defendeu a ação e classificou o episódio como resposta a terrorismo doméstico. Trump declarou que agentes federais possuem imunidade total. Procuradores locais pediram investigação; o DOJ negou.
Segundo relatos judiciais, autoridades federais ainda bloquearam o acesso do estado à cena do crime. Trump reconheceu depois o direito estadual de apurar o caso, mas parlamentares republicanos admitiram que provas já haviam se perdido.
Colapso operacional e tensão judicial
Com menos de 20 procuradores ativos, o distrito de Minneapolis enfrenta sobrecarga. Há 490 pedidos de habeas corpus pendentes, número superior ao acumulado dos oito anos anteriores. O DOJ tenta deslocar dez procuradores de outras regiões, mas a capacidade segue limitada.
Em audiências recentes, procuradoras relataram dificuldade para fazer agentes do DHS e do ICE cumprirem ordens judiciais. O juiz federal Jerry Blackwell afirmou que decisões da Corte não são opcionais, após atrasos na libertação de detentos que sequer deveriam estar presos.
Procuradores do DOJ EUA, imprensa e disputas políticas
A debandada também se conecta à recusa de procuradores em processar jornalistas como Don Lemon e Georgia Fort. Ambos foram presos após cobrirem protestos, apesar de decisões iniciais de juízes apontarem ausência de conduta criminosa.
Juristas ouvidos pela imprensa afirmam que os procuradores do DOJ EUA enfrentam um dilema institucional. Para Matthew Seligman, da Universidade Stanford, o governo não espera condenações, mas aposta no custo judicial como forma de pressão sobre a imprensa.
No curto prazo, analistas jurídicos avaliam que a saída contínua de procuradores do DOJ EUA tende a ampliar conflitos entre Judiciário, agências federais e a Casa Branca, com efeitos diretos sobre a execução da política migratória e a credibilidade do sistema judicial.