FBI detalha ligação de Trump em 2006 no caso Epstein

A ligação de Trump em 2006 reaparece em documentos do FBI e reabre debate sobre o que o presidente sabia no início das investigações contra Jeffrey Epstein nos Estados Unidos.
ligação de Trump em 2006 contextualizada por imagem de arquivo de evento social nos EUA
Imagem de arquivo mostra dois empresários em evento social nos Estados Unidos na década de 1990, período anterior às investigações federais que viriam anos depois. Foto: Reprodução

Documentos recentemente divulgados pelo Federal Bureau of Investigation (FBI) trouxeram novos detalhes sobre as primeiras apurações do caso Jeffrey Epstein na Flórida. Entre os registros está a ligação de Trump em 2006, quando ele telefonou ao chefe de polícia de Palm Beach após o início da investigação. O relato consta de uma entrevista formal colhida em 2019.

Segundo o resumo do depoimento prestado por Michael Reiter, ex-chefe de polícia local, Donald Trump teria afirmado que “todo mundo sabia” do comportamento de Epstein. O registro indica ainda que ele foi uma das primeiras pessoas a entrar em contato com a corporação quando soube da investigação.

O que dizem os documentos sobre a ligação de Trump em 2006

De acordo com o FBI, Reiter relatou que Trump demonstrou apoio às autoridades e declarou: “Graças a Deus que estão prendendo ele. Todo mundo sabia que ele estava fazendo isso”. A fala aparece no relatório produzido treze anos após a conversa telefônica.

O documento também menciona que Trump teria dito que expulsou Epstein de seu clube em Mar-a-Lago e orientado a polícia a manter atenção sobre Ghislaine Maxwell. Maxwell foi condenada em 2021 a 20 anos de prisão por recrutar adolescentes para o esquema de exploração sexual.

Versões públicas e investigação federal

Em 2019, quando agentes federais prenderam Epstein por tráfico sexual, Trump disse a repórteres que não conhecia as práticas criminosas e que não falava com o financista havia anos. Desde então, analistas e parlamentares passaram a comparar essa declaração ao conteúdo atribuído à conversa telefônica de 2006.

A Casa Branca reagiu por meio da secretária de imprensa, Karoline Leavitt. Ela declarou que a ligação “pode ou não ter ocorrido” e afirmou que, se confirmada, apenas reforçaria a versão do presidente de que havia rompido laços anteriormente.

Arquivos, sigilo e repercussão política

Além do relato telefônico, parlamentares tiveram acesso a um e-mail de 2009 enviado pelo advogado de Epstein ao cliente, com referência a conversa envolvendo advogados de Trump. Parte do conteúdo permanece sob tarja preta. O Departamento de Justiça (DOJ) informou que o trecho está protegido por sigilo entre advogado e cliente.

Deputados democratas, como Jamie Raskin e Ro Khanna, afirmaram que a divulgação parcial amplia questionamentos sobre o que autoridades sabiam à época. Eles sustentam que milhões de páginas ainda permanecem sob análise institucional.

A ligação de Trump em 2006, portanto, insere novo elemento no debate sobre a cronologia do caso Epstein. À medida que arquivos federais, relatórios do Departamento de Justiça, registros do Congresso dos EUA e documentos do sistema judicial americano são revisitados, o tema volta ao radar político em Washington e mantém pressão sobre a gestão presidencial.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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