Khamenei ameaça EUA e fala em afundar porta-aviões enviados ao Irã

Khamenei ameaça EUA ao reagir ao envio de porta-aviões e às exigências de Trump nas negociações nucleares. Discurso ocorre em meio a reforço militar no Oriente Médio e impasse sobre sanções.
Khamenei ameaça EUA em meio a tensão com Donald Trump
O aiatolá Ali Khamenei e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio à escalada verbal e militar envolvendo negociações nucleares. Fotos: Wana News Agency via Reuters ; Sarah Meyssonnier/POOL/AFP

Em meio ao reforço militar dos Estados Unidos no Oriente Médio e à retomada das negociações nucleares em Genebra, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, elevou o tom contra Washington. Nesta terça-feira (17/02), Khamenei ameaçou os EUA ao afirmar, em discurso em Teerã, que Donald Trump não conseguirá derrubar a República Islâmica e ao reagir ao envio de porta-aviões norte-americanos para a região.

Durante o discurso, Ali Khamenei declarou que “mais perigoso que o porta-aviões é a arma que pode enviá-lo ao fundo do mar”. A fala ocorreu no mesmo dia em que o chanceler Abbas Araghchi iniciou conversas indiretas com representantes dos Estados Unidos, mediadas por Omã.

Escalada militar no Oriente Médio

A tensão diplomática ocorre sob forte presença militar. Desde o fim de janeiro, o grupo de ataque do USS Abraham Lincoln opera no Mar Arábico, próximo à costa iraniana. Nos últimos dias, o USS Gerald Ford, maior porta-aviões do mundo, também foi deslocado para a região.

Além disso, Washington enviou dezenas de navios de guerra, destróieres e jatos de combate. Segundo declarações públicas, Trump avalia medidas mais duras caso não haja acordo. A bordo do Air Force One, afirmou que estará “indiretamente” envolvido nas negociações e advertiu que as consequências poderão ser graves.

Ao mesmo tempo, a Guarda Revolucionária anunciou exercícios militares no Estreito de Ormuz. O gesto amplia a tensão regional em um ponto estratégico para o fluxo global de petróleo.

Impasse sobre programa nuclear e mísseis

O centro do impasse permanece o programa nuclear iraniano. De acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o Irã possui cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%, nível próximo ao necessário para armamento nuclear.

Autoridades iranianas afirmaram à Reuters que o sucesso das tratativas depende da suspensão das sanções econômicas e da ausência de “exigências irreais” por parte dos EUA. Já o governo Trump defende incluir o programa de mísseis balísticos nas negociações.

O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, declarou que aceita inspeções da AIEA, mas não cederá a condições que considere excessivas. Khamenei, por sua vez, reiterou que o sistema de mísseis é instrumento de dissuasão militar e não será incluído nas tratativas.

Khamenei ameaça EUA e testa limites da diplomacia

Ao afirmar que os Estados Unidos não estão prontos para uma guerra e que Washington pode cometer um “erro”, Khamenei ameaça EUA enquanto tenta fortalecer sua posição interna. A retórica busca demonstrar firmeza diante da pressão externa.

Por outro lado, Trump alterna entre acenos diplomáticos e advertências militares. Esse padrão reforça a estratégia de pressão máxima adotada desde janeiro, combinando presença naval, ameaça de bombardeios estratégicos e negociação condicionada.

No momento em que Khamenei ameaça EUA, o equilíbrio entre diplomacia nuclear e exibição de força militar define os próximos passos. O desfecho dependerá da capacidade de ambas as partes de transformar a escalada retórica em concessões concretas.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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