Sob pressão de Trump, Irã nega ‘ultimato’ dos EUA e autoriza negociações nucleares

O Irã nega ultimato dos EUA e autoriza negociações nucleares enquanto Donald Trump amplia a pressão militar no Oriente Médio e mantém ameaça implícita de ação.
Donald Trump pressiona o Irã enquanto Teerã nega ultimato dos EUA sobre acordo nuclear
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mantém pressão por um acordo nuclear após o Irã negar ter recebido um ultimato de Washington. Foto: REUTERS/Jonathan Ernst

O Irã nega ultimato dos EUA (Estados Unidos) enquanto enfrenta pressão direta do presidente Donald Trump por um acordo nuclear. Nesta segunda-feira (02/02), o governo iraniano rejeitou a existência de qualquer prazo imposto por Washington, ao mesmo tempo em que autorizou formalmente o início de negociações sobre o programa nuclear com os Estados Unidos.

A posição foi apresentada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, em coletiva de imprensa. Segundo ele, Teerã mantém disposição para o diálogo, mas não aceita tratativas condicionadas a ameaças. A declaração ocorreu no mesmo dia em que o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, determinou a abertura do canal diplomático com Washington.

Irã nega ultimato dos EUA e ajusta discurso diplomático

Ao afirmar que o país “age com honestidade e seriedade”, Baghaei buscou separar a autorização para negociar da retórica de coerção atribuída a Trump. O governo iraniano sustenta que não houve comunicação formal com caráter de ultimato, mesmo após declarações públicas do presidente americano sobre prazos e consequências militares.

O Irã nega ultimato dos EUA também como forma de preservar a posição do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. O regime já sinalizou que qualquer ação militar americana será interpretada como início de guerra, reforçando uma linha dissuasória voltada tanto a Washington quanto a aliados regionais dos EUA.

Pressão militar de Trump corre em paralelo às negociações

Enquanto a diplomacia avança, Trump intensificou a presença militar americana no Oriente Médio, com o envio de mais de dez navios de guerra à região. O presidente declarou estar “otimista” quanto a um acordo, mas manteve a ameaça implícita de uso da força caso as conversas fracassem.

Esse duplo trilho, baseado em diálogo e pressão, marca a estratégia americana. Em negociações anteriores, o governo Trump defendeu a proibição do enriquecimento de urânio, além de restrições a mísseis balísticos e a redes armadas apoiadas por Teerã, pontos que enfrentam resistência iraniana.

Leia também: Exigências de Trump ao Irã incluem fim do programa nuclear civil

Irã nega ultimato dos EUA enquanto formato das tratativas é definido

Segundo Baghaei, países árabes atuam como mediadores na troca de mensagens entre os dois governos. O método e a estrutura das negociações ainda estão em finalização, com expectativa de definição nos próximos dias. Data e local permanecem indefinidos.

Fontes iranianas indicam que o chanceler Abbas Araghchi deve liderar a delegação de Teerã, enquanto Steve Witkoff atuaria como representante de Trump. O desenho do canal diplomático tende a refletir o equilíbrio entre concessões técnicas e limites políticos impostos pelo regime iraniano.

No tabuleiro regional, o fato de que o Irã nega ultimato dos EUA não elimina a leitura de que Trump testa até onde pode ir. A combinação de força militar, mediação indireta e negociações nucleares mantém o impasse aberto e amplia a incerteza sobre os próximos passos.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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