Irã e EUA negociam acordo nuclear após rodada reservada em Omã

Irã e EUA negociam acordo nuclear após rodada em Omã, mantendo o diálogo aberto apesar de divergências de pauta, pressão militar e preocupação internacional com a estabilidade no Oriente Médio.
Bandeiras dos Estados Unidos e do Irã simbolizam as negociações nucleares mantidas sob pressão militar e diplomática
Bandeiras dos Estados Unidos e do Irã simbolizam as negociações nucleares mantidas sob pressão militar e diplomática. Foto: Shutterstock

Irã e EUA negociam acordo nuclear após concluírem, nesta sexta-feira (06/02), uma rodada de conversas em Omã, realizada sob forte tensão regional. Segundo autoridades iranianas, o encontro terminou com concordância para manter o diálogo, embora sem definição sobre formato ou data da próxima etapa.

A rodada ocorreu em meio ao reforço da presença militar americana no Oriente Médio e a declarações públicas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que reiterou preferência pela diplomacia, mas manteve aberta a possibilidade de ação armada caso não haja entendimento. Ainda assim, os dois lados decidiram não encerrar o canal diplomático.

Irã e EUA negociam acordo nuclear sob mediação de Omã

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que os argumentos foram apresentados em um ambiente considerado positivo e que houve acordo para dar sequência às conversas. Ele ressaltou, porém, que as modalidades e o cronograma ainda dependem de definição posterior entre as partes.

Antes do encontro bilateral, Araqchi reuniu-se com o chanceler de Omã, Sayyid Al Busaidi, reforçando o papel do país como mediador discreto em diálogos sensíveis. O ministro iraniano afirmou que Teerã ingressou nas tratativas com cautela, sustentando que compromissos precisam ser cumpridos com base em respeito mútuo e igualdade entre os negociadores.

Divergência de pauta limita avanço das tratativas

Apesar da disposição para manter o diálogo, as agendas seguem distantes. Washington defende ampliar a negociação para incluir o alcance dos mísseis balísticos iranianos, o apoio de Teerã a grupos armados na região e aspectos internos do regime. A Casa Branca também reiterou a exigência de eliminação total da capacidade nuclear iraniana.

Teerã, por sua vez, insiste que o debate deve se restringir ao programa nuclear e reafirma que suas atividades têm fins civis. Autoridades iranianas rejeitam discutir mísseis ou política regional, o que mantém o processo cercado por impasses estruturais.

Leia também: Exigências de Trump ao Irã incluem fim do programa nuclear civil

Pressão militar acompanha o diálogo diplomático

Enquanto Irã e EUA negociam acordo nuclear, sinais de dissuasão se intensificam. Os Estados Unidos enviaram porta-aviões, navios de guerra e aeronaves para a região. Paralelamente, a televisão estatal iraniana informou o posicionamento do míssil Khorramshahr 4 em uma base subterrânea da Guarda Revolucionária, com alcance de até 2.000 km.

Governos regionais acompanham o cenário com apreensão. Países do Golfo temem se tornar alvos indiretos em caso de confronto, enquanto a Turquia atua para evitar uma escalada. A Alemanha expressou preocupação com o risco de desestabilização, e a China declarou apoio ao uso pacífico da energia nuclear pelo Irã, criticando sanções e ameaças de força.

Ao manterem o canal aberto, Irã e EUA negociam acordo nuclear sob um equilíbrio delicado entre diplomacia e pressão estratégica, no qual qualquer avanço dependerá menos de gestos públicos e mais da disposição real de reduzir as linhas de confronto.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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