O opositor venezuelano Juan Pablo Guinapa é preso novamente menos de 12 horas após deixar a prisão em Caracas no domingo (08/02). A nova detenção, confirmada nesta segunda-feira (09/02), ocorreu às vésperas da votação da Lei de Anistia Geral, após anúncios oficiais de libertação de presos políticos, e reacendeu críticas da oposição ao governo interino.
A reprisão aconteceu um dia antes da votação da Lei de Anistia Geral no Parlamento. O projeto integra a agenda anunciada pelo governo interino após a intervenção militar dos Estados Unidos e a captura de Nicolás Maduro. Logo, analistas interpretaram a soltura antecipada de Guanipa como um gesto político relevante.
Guinapa é preso novamente e o papel das instituições
O Ministério Público afirmou que Guanipa violou os termos de sua liberdade ao se manifestar publicamente sobre o próprio caso. Além disso, o órgão solicitou ao Judiciário a revogação da medida cautelar e pediu a aplicação de prisão domiciliar. As autoridades não detalharam as condições impostas.
A oposição rejeitou a justificativa oficial. Segundo Ramón Guanipa, homens armados e sem identificação levaram Juan Pablo Guanipa. María Corina Machado classificou a ação como sequestro e exigiu libertação imediata. Dessa forma, o partido Primeiro Justiça responsabilizou dirigentes do regime por sua integridade.
Histórico político e repressão seletiva
Juan Pablo Guanipa, advogado e ex-deputado eleito em 2015, ocupa posição central na oposição ao chavismo. Ele venceu a eleição para o governo de Zulia, mas se recusou a jurar perante a Assembleia Nacional Constituinte e, por isso, não tomou posse.
Em maio de 2025, autoridades prenderam Guanipa durante uma ofensiva contra opositores. À época, o então ministro do Interior, Diosdado Cabello, associou o político a uma suposta rede criminosa. A prisão ocorreu no contexto de contestação das eleições presidenciais de 2024. Após aquele pleito, organizações de direitos humanos relataram cerca de 1.800 detenções. A ONG Foro Penal afirma que as libertações posteriores ficaram abaixo dos números divulgados oficialmente.
Guinapa é preso novamente: até onde vai a anistia
Desde janeiro, o governo interino anunciou libertações graduais de presos políticos. Parte dos beneficiados integra a estrutura de campanha de María Corina Machado. Ainda assim, medidas restritivas continuam a limitar a atuação pública dos libertados.
Analistas avaliam que o retorno de Guanipa à prisão indica uso seletivo do sistema judicial. O episódio sugere que a anistia, mesmo aprovada, pode operar sob condicionantes rígidas. Nesse cenário, a nova prisão de Guinapa sinaliza que a abertura anunciada convive com mecanismos de controle político ainda ativos.