Documentos internos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos detalham as conclusões do FBI sobre o caso Epstein após anos de apuração federal. Os registros confirmam os abusos sexuais cometidos pelo financista, mas apontam ausência de base jurídica para sustentar a tese de que ele comandava uma rede de tráfico sexual envolvendo terceiros influentes.
A análise, baseada em memorandos, e-mails e relatórios policiais, ajuda a explicar por que promotores decidiram encerrar a investigação sem ampliar o rol de réus. Segundo esses documentos, o foco permaneceu nos crimes praticados diretamente por Epstein e por sua confidente, Ghislaine Maxwell, condenada em 2021.
O que o FBI sobre caso Epstein apurou
O FBI analisou registros bancários, e-mails, propriedades e dispositivos eletrônicos de Epstein em Nova York, na Flórida e nas Ilhas Virgens Americanas. Mesmo com grande volume de material, os promotores não identificaram provas que implicassem terceiros em crimes federais.
Relatórios internos apontam que ao menos quatro ou cinco vítimas relataram abusos por outros indivíduos. Ainda assim, os investigadores avaliaram as provas, descartaram a via federal e remeteram parte dos casos às autoridades locais.
Registros financeiros e limites probatórios
A análise financeira conduzida pelo FBI sobre caso Epstein incluiu pagamentos feitos a mais de 25 mulheres e transferências ligadas a pessoas dos meios acadêmico, financeiro e diplomático. Segundo memorandos do DOJ, não foi identificada conexão direta entre esses fluxos e crimes praticados por terceiros.
Vídeos e fotografias apreendidos também não mostraram abusos cometidos por outras pessoas. Em comunicação interna, a promotoria afirmou que investigou todas as possíveis pistas, mas não localizou imagens incriminadoras.
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Riquezas no Brasil e a decisão judicial
Documentos judiciais revelam que o risco de fuga teve papel central para manter Epstein preso em 2019. A corte destacou viagens frequentes ao exterior, recursos financeiros elevados e menções ao Brasil, país citado como possível destino fora do alcance rápido da Justiça americana.
Para o juiz responsável, esse conjunto indicava risco concreto de evasão, justificando a rejeição do pedido de prisão domiciliar. Três semanas depois, Epstein foi encontrado morto na cela, em episódio oficialmente classificado como suicídio.
Para investigadores e promotores envolvidos no caso, os documentos agora públicos sintetizam os limites probatórios enfrentados pelo FBI sobre o caso Epstein ao longo da apuração federal. Segundo esses registros, a ausência de provas materiais e financeiras impediu o avanço de acusações contra terceiros, apesar da repercussão pública do caso.