As exigências de Donald Trump ao Irã passaram a orientar novamente a condução do dossiê nuclear iraniano nos Estados Unidos, ao recolocar o abandono do enriquecimento de urânio como condição explícita nas tratativas com Teerã. A posição retoma a linha adotada por Trump durante seu governo e amplia a pressão sobre pilares centrais da estratégia militar e diplomática da República Islâmica, segundo analistas internacionais.
O pacote apresentado por Trump envolve três frentes consideradas sensíveis pelo regime iraniano. A primeira delas é a exigência de abandono completo do programa nuclear, inclusive do enriquecimento de urânio para fins civis. O Irã sustenta há décadas que essa atividade faz parte de seus direitos soberanos e rejeita qualquer restrição total nesse campo.
Exigências de Trump ao Irã e o programa nuclear iraniano
No eixo nuclear, especialistas observam que as exigências de Trump ao Irã colidem com a lógica de dissuasão construída por Teerã após anos de sanções. Mesmo após os bombardeios realizados em junho, que Trump declarou ter neutralizado a capacidade nuclear iraniana, relatórios de inteligência dos Estados Unidos indicam a continuidade do desenvolvimento do programa de forma subterrânea.
Esse ponto expõe uma contradição no discurso do ex-presidente. Ao mesmo tempo em que afirma ter eliminado a ameaça nuclear, Trump voltou a defender medidas adicionais de contenção, reforçando a percepção de que Washington ainda enxerga riscos ativos associados ao avanço tecnológico iraniano.
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Pressão sobre mísseis e alianças regionais
Outro pilar das exigências está no fim do programa de mísseis balísticos convencionais. Para o Irã, esses armamentos representam a base de sua capacidade defensiva diante de um ambiente regional hostil. Foi justamente a recusa iraniana em negociar esse ponto que levou Trump a abandonar, em 2018, o acordo nuclear firmado em 2015, decisão alinhada às preocupações de Israel.
As exigências de Trump ao Irã também incluem a interrupção do apoio a grupos aliados no Oriente Médio. Entram nessa lista o Hezbollah, milícias xiitas no Iraque e na Síria, além de organizações palestinas e dos houthis no Iêmen. Para Teerã, essa rede funciona como instrumento de projeção regional e equilíbrio estratégico frente a adversários.
Cooperação com a Rússia e limites de aceitação
O cenário se torna ainda mais sensível com a cooperação militar entre Irã e Rússia. Serviços de inteligência americanos avaliam uma troca estratégica. O Irã fornece drones Shahed e mísseis para a guerra na Ucrânia. Em contrapartida, a Rússia ofereceria apoio tecnológico. Parte desse apoio estaria ligada ao campo nuclear.
Analistas apontam que aceitar as exigências de Trump ao Irã significaria abrir mão de elementos centrais da legitimidade interna do regime. A independência frente a potências estrangeiras e a manutenção de capacidades militares são tratadas como garantias de sobrevivência política, o que limita qualquer margem real de concessão.