Após permanecer cerca de 11 horas sob custódia da polícia britânica nesta quinta-feira (19/02), o ex-príncipe Andrew foi liberado. A Polícia de Thames Valley confirmou que ele foi solto sob investigação, enquanto buscas em endereços ligados ao ex-Duque de York foram concluídas em Norfolk e Berkshire.
A apuração envolve suspeita de má conduta no exercício de cargo público, com foco na possível troca de relatórios confidenciais quando Andrew Windsor atuava como representante especial para o Comércio Internacional. A polícia não detalhou quais documentos estariam sob análise. A investigação, contudo, mantém pontos centrais sob sigilo.
A reação do Palácio diante da nova frente policial
O rei Charles III declarou que “a lei deve seguir seu curso” e afirmou apoio integral às autoridades. Segundo a BBC, ninguém avisou previamente o monarca sobre a prisão. O posicionamento buscou reforçar a separação entre a monarquia britânica e a conduta individual do irmão.
A família real destituiu Andrew, filho da rainha Elizabeth II, dos títulos reais em outubro de 2025. Desde então, sua posição pública tornou-se estritamente privada. Ainda assim, qualquer avanço na investigação criminal respinga na imagem institucional da Casa Real. Para além do episódio imediato, a situação amplia o escrutínio internacional.
Relembre: Ex-príncipe Andrew é preso em investigação ligada a Epstein
Enquanto ex-príncipe Andrew é liberado, investigação mantém foco no vínculo com Epstein
O nome do ex-príncipe aparece em milhões de páginas tornadas públicas pelo Departamento de Justiça dos EUA nos últimos meses. Parte do material inclui e-mails de 2010 e registros que sugerem encontros organizados por Jeffrey Epstein, financista acusado de comandar uma rede de abuso sexual.
Um documento formal de 2020 afirma que Andrew pode ter atuado como testemunha e/ou participado de fatos relevantes à investigação americana. Ele sempre negou qualquer irregularidade e afirmou nunca ter presenciado condutas ilícitas. As mensagens divulgadas não indicam crime, mas sustentam a continuidade do escrutínio público.
O peso acumulado das acusações anteriores
Em 2022, Andrew firmou acordo judicial com Virginia Giuffre, que o acusava de agressão sexual quando era menor de idade. Ele nega as acusações. Giuffre morreu em abril de 2025. Além disso, a condenação de Ghislaine Maxwell, associada de Epstein, reforçou o alcance internacional do caso.
A nova investigação britânica se soma a esse histórico. Embora a polícia não tenha detalhado os elementos que motivaram a prisão temporária, o episódio recoloca Andrew no centro de um debate jurídico e institucional que parecia arrefecido.
A liberação não encerra o caso. Ao contrário, o fato de que o ex-príncipe Andrew deixou a custódia sem acusações formais imediatas preserva o devido processo legal, mas mantém aberta uma frente sensível para a família real, que enfrenta pressão crescente por transparência e governança. Em um cenário de cobrança pública cada vez maior por prestação de contas, a comunidade internacional examina cada etapa da investigação, e a própria Coroa enfrenta, mais uma vez, um teste de sua estabilidade simbólica.