As eleições presidenciais em Portugal chegam ao segundo turno neste domingo (08/02) pela primeira vez em mais de quatro décadas, colocando frente a frente o socialista António José Seguro e o deputado André Ventura, líder do partido Chega. A votação ocorre após um primeiro turno fragmentado e em meio a uma reorganização do sistema partidário português, com avanço da direita nacionalista no Parlamento.
As sondagens divulgadas na última semana indicam vantagem confortável para Seguro. Levantamento do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa aponta 67% das intenções de voto para o candidato socialista, contra 33% de Ventura. Mesmo em cenários que excluem indecisos, o ex-ministro mantém dianteira ampla, segundo dados publicados pela RTP, Antena 1 e o jornal Público.
Eleições presidenciais em Portugal e o peso institucional do cargo
O segundo turno ocorre em um sistema de semipresidencialismo, no qual o presidente exerce funções institucionais, enquanto o comando do Executivo cabe ao primeiro-ministro. Em Portugal, decisões sobre imigração, orçamento e políticas públicas estruturais partem do governo e do Parlamento, não do chefe de Estado.
Atualmente, o primeiro-ministro é Luís Montenegro, líder da Aliança Democrática, que governa sem maioria absoluta no Parlamento. Nesse contexto, as eleições presidenciais em Portugal têm peso político e simbólico, mas exercem alcance limitado sobre o cotidiano administrativo do país, segundo analistas e jur
Disputa política e avanço da direita nacionalista
André Ventura chega ao segundo turno após superar candidatos tradicionais da direita no primeiro turno, consolidando o Chega como segunda maior força parlamentar. Fundado em 2019, o partido ampliou sua presença legislativa com uma agenda centrada em controle migratório, endurecimento penal e críticas ao sistema político formado após a Revolução dos Cravos.
Mesmo em caso de derrota, Ventura seguirá como principal líder da oposição nos próximos anos. Para analistas políticos, o desempenho eleitoral testa a capacidade do Chega de dialogar com eleitores de centro. A avaliação também aponta limites para ampliar a base além do discurso identitário e securitário.
Eleições presidenciais em Portugal e o debate sobre imigração
O tema migratório atravessou a campanha e ganhou relevo entre comunidades estrangeiras, especialmente brasileiros residentes no país. Entrevistados relataram receio quanto a propostas defendidas pelo Chega, em um cenário já impactado pela nova Lei dos Estrangeiros, em vigor desde outubro.
Embora o presidente tenha atuação restrita nesse campo, o debate expôs tensões sociais e reforçou a leitura de que as eleições presidenciais em Portugal funcionam como termômetro político. O resultado do domingo tende a sinalizar limites e alcances da direita nacionalista dentro do atual arranjo institucional português.