Como as eleições antecipadas no Japão alteram o peso político de Sanae Takaichi

As eleições antecipadas no Japão indicam vitória ampla do PLD e ampliam a margem política de Sanae Takaichi no Parlamento, com efeitos sobre economia, alianças e política externa.
Eleições antecipadas no Japão com Sanae Takaichi discursando após a votação
Sanae Takaichi discursa após a votação das eleições antecipadas no Japão, que projetam ampliação da base do PLD na Câmara Baixa. Foto: Yuichi Yamazaki, AFP

As eleições antecipadas no Japão, realizadas neste domingo (08/02), foram convocadas em um momento incomum do calendário político e já indicam um reposicionamento relevante da correlação de forças no Parlamento. Projeções divulgadas após o fechamento das urnas apontam que o Partido Liberal Democrático (PLD), liderado pela primeira-ministra Sanae Takaichi, deve ampliar de forma expressiva sua presença na Câmara dos Representantes.

Segundo estimativas da emissora pública NHK, o PLD pode conquistar entre 274 e 328 das 465 cadeiras em disputa, superando com folga as 233 necessárias para a maioria simples. O resultado coloca a legenda em condição de governar sem depender de alianças, algo que não ocorre desde 2021, e altera o ponto de partida político do governo no Legislativo.

Eleições antecipadas no Japão e cálculo de poder

A convocação do pleito ocorreu em 19 de janeiro, apenas 16 dias antes da votação, no intervalo mais curto desde o pós-guerra. Takaichi dissolveu o Parlamento apostando na alta aprovação pessoal acumulada desde que assumiu o cargo, em outubro, após vencer as prévias do PLD.

Além do desempenho do partido, o Partido da Inovação do Japão (Nippon Ishin), aliado da premiê, deve eleger entre 28 e 38 deputados. Somadas, as duas legendas podem alcançar até 366 cadeiras, abrindo a possibilidade de enfrentar resistências da Câmara Alta, onde o governo hoje é minoritário.

Maioria legislativa e agenda econômica

O tamanho da bancada governista ganha peso diante da agenda econômica apresentada durante a campanha. Takaichi prometeu suspender o imposto de 8% sobre alimentos, medida voltada ao custo de vida, mas que gerou preocupação entre investidores devido ao nível da dívida pública japonesa.

Para Seiji Inada, diretor-gerente da consultoria FGS Global, uma vitória ampla ampliaria o espaço político para a execução desses compromissos. A leitura de mercado é que decisões fiscais passarão a ser observadas com mais atenção, inclusive pelo impacto potencial sobre o iene.

Eleições antecipadas no Japão e política externa

O pleito também tem repercussões externas. Dias antes da votação, Takaichi recebeu apoio público do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que declarou “apoio total” à premiê. Pequim, por sua vez, acompanha o resultado com cautela, após declarações de Tóquio sobre possíveis respostas a um ataque chinês a Taiwan.

No campo interno, a oposição saiu enfraquecida. A Aliança Reformista Centrista, formada por Partido Democrático Constitucional e Komeito, deve perder espaço de forma acentuada. Ao mesmo tempo, o partido populista Sanseito ampliou sua bancada, ainda que permaneça periférico no arranjo institucional.

Com isso, as eleições antecipadas no Japão tendem a consolidar um governo com maior margem de manobra legislativa, mas também elevam a pressão sobre decisões fiscais, diplomáticas e de defesa. O próximo teste será transformar força numérica em governabilidade efetiva, sem ampliar tensões econômicas e regionais.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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