Em meio ao endurecimento da política dos Estados Unidos (EUA) contra Havana, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel afirmou nesta quinta-feira (05/02) que Cuba aceita dialogar com os EUA, desde que as conversas ocorram sem pressão ou pré-condições. A sinalização ocorre enquanto o governo Donald Trump amplia sanções econômicas e restrições ao fornecimento de combustível à ilha, reacendendo a tensão diplomática entre os dois países.
Em pronunciamento televisionado, Díaz-Canel declarou que o governo cubano admite negociar “sobre qualquer tema”, desde que respeitados os pilares do sistema político do país. A fala reforça posições já expostas pela diplomacia cubana nos últimos dias, após declarações de autoridades americanas favoráveis a uma mudança de governo em Havana.
Cuba aceita dialogar com os EUA sob condição de soberania
Em declaração à CNN, o vice-ministro das Relações Exteriores, Carlos Fernández de Cossío, afirmou que Cuba está aberta a um diálogo “significativo” com os Estados Unidos, mas não aceita discutir qualquer mudança em seu sistema constitucional ou político. Segundo ele, embora não exista negociação formal em curso, houve trocas pontuais de mensagens entre os dois governos, direcionadas aos níveis mais altos da administração cubana.
“O que Cuba sofre é equivalente a uma guerra em termos de medidas coercitivas econômicas”, alegou Cossío.
Cossío afirmou que não existe diálogo formal em curso, apesar de trocas pontuais de mensagens entre os dois governos. A declaração contraria falas recentes de Donald Trump, que sugeriu a existência de negociações em andamento. Para Havana, qualquer conversa precisa ocorrer em condição de igualdade e sem interferência externa.
Pressão econômica amplia tensão diplomática
Enquanto Cuba aceita dialogar com os EUA, o governo Trump intensificou a pressão sobre a ilha ao tentar interromper seu acesso a petróleo importado. Washington ameaçou impor tarifas a países que exportem combustível para Havana, sob o argumento de segurança nacional.
A estratégia ocorre após o corte do fornecimento venezuelano, consequência direta da operação americana que depôs Nicolás Maduro em janeiro. A medida agravou a crise energética cubana, resultando em apagões frequentes e longas filas em postos de gasolina, segundo autoridades locais.
Crise energética e alerta internacional
A escassez de combustível afeta diretamente o sistema elétrico cubano, altamente dependente de importações para manter suas termelétricas. Um blecaute atingiu Santiago, segunda maior cidade do país, enquanto Havana registrou temperatura mínima histórica de 0ºC durante o inverno.
O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, alertou para o risco de colapso humanitário caso Cuba não consiga importar petróleo. Em resposta, Cossío classificou as sanções como medidas coercitivas de impacto comparável a um conflito econômico.
Cuba aceita dialogar com os EUA e oferece cooperação regional
Apesar do impasse político, o governo cubano sustenta que o diálogo pode gerar benefícios mútuos. Cossío afirmou que Havana está disposta a cooperar em temas como segurança regional e combate ao tráfico de drogas, citando experiências anteriores de colaboração.
A leitura interna é de que, ao mesmo tempo em que Cuba aceita dialogar com os EUA, a pressão econômica imposta por Washington limita o espaço diplomático. O desfecho dependerá da disposição americana de substituir coerção por negociação, em um cenário de crescente instabilidade energética no Caribe.