Pressão sobre crise energética em Cuba aumenta e Trump chama ilha de ‘nação falida’

A crise energética em Cuba se intensifica após Trump chamar a ilha de “nação falida”. Embargo, petróleo venezuelano e pressão dos EUA redesenham o cenário político e humanitário.
Donald Trump fala sobre crise energética em Cuba e chama ilha de “nação falida”
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante declaração em que classificou Cuba como “nação falida” ao comentar a crise energética na ilha. Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein

A crise energética em Cuba esteve no centro das declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta segunda-feira (16/02), quando ele classificou o país como “nação falida” e associou o cenário ao impasse nas negociações bilaterais. A fala ocorreu a bordo do Air Force One, enquanto a ilha enfrenta paralisações em voos e operações aeroportuárias devido à escassez de combustível.

Segundo Trump, Washington e Havana “estão conversando”, mas ele afirmou que uma operação semelhante à realizada na Venezuela “não seria muito difícil”. Questionado se os EUA derrubariam o governo cubano, respondeu que “não acredita que isso seja necessário”.

Crise energética em Cuba e o efeito do petróleo

A atual crise energética em Cuba decorre, sobretudo, da interrupção do envio de combustível pela Venezuela em meados de dezembro. O país sul-americano era o principal fornecedor da ilha até a queda de Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, após ação militar americana em Caracas.

Além disso, o governo mexicano suspendeu embarques depois que Washington ameaçou impor tarifas a países que vendessem petróleo a Havana. A Casa Branca sustenta que as medidas ampliam a pressão diplomática por mudanças políticas, enquanto a ONU já votou reiteradamente pelo fim do embargo dos EUA a Cuba, em vigor desde 1962.

Trump reconheceu que a escassez representa “uma ameaça humanitária”. Ainda assim, manteve a defesa da estratégia de restrição energética como instrumento de negociação.

Leia também: Rússia enviará petróleo a Cuba em meio a sanções e ameaça de Trump

Colapso energético e respostas internas

Com 9,6 milhões de habitantes, Cuba enfrenta racionamento de gasolina e cortes frequentes de eletricidade. O governo anunciou redução da jornada nas repartições públicas para quatro dias por semana, ampliou o teletrabalho e transferiu aulas universitárias para o formato remoto.

Havana acusa Washington de tentar “asfixiar” a economia nacional. A escassez de combustível compromete o funcionamento de aeroportos, transporte público e setores estratégicos, agravando a crise econômica já existente.

Reação internacional

Diante do agravamento da crise energética em Cuba, a Espanha anunciou o envio de alimentos e produtos sanitários por meio da ONU. O anúncio ocorreu após reunião em Madri entre o chanceler espanhol José Manuel Albares e o ministro cubano Bruno Rodríguez.

No Chile, o governo de Gabriel Boric informou que destinará US$ 1 milhão via Fundo contra a Fome e a Pobreza da Agência de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento do Unicef. O presidente eleito José Antonio Kast criticou a medida e afirmou que qualquer ajuda deve exigir democracia.

A combinação de embargo econômico, ruptura no fornecimento de petróleo e disputa geopolítica amplia o isolamento de Havana. A crise energética em Cuba tornou-se ponto de tensão regional e elemento central das negociações entre Washington e a ilha, com desdobramentos que ultrapassam a esfera econômica.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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