Congresso do Peru vota novo presidente interino após destituição de José Jerí

O Congresso do Peru vota o presidente interino após a destituição de José Jerí. Entenda a sucessão, os candidatos e o que está em jogo até as eleições de abril.
José Jerí após votação no Congresso do Peru que declarou vacância presidencial
José Jerí durante sessão no Congresso do Peru antes da votação que declarou vaga a Presidência da República. Foto: Reprodução

O Congresso do Peru define nesta quarta-feira (18/02), às 18h, o presidente interino que assumirá o comando do país após a destituição de José Jerí. A votação ocorre a menos de dois meses das eleições gerais marcadas para 12 de abril, ampliando a pressão sobre o sistema político peruano.

Na terça-feira (17/02), o Parlamento aprovou uma das moções de censura contra Jerí por 75 votos a favor, 24 contra e três abstenções. Com a decisão, o Congresso declarou vaga a Presidência da República, já que Jerí acumulava o cargo por ter sido eleito presidente do Legislativo.

Congresso do Peru e a regra da sucessão

Pela Constituição, o presidente do Legislativo assume automaticamente o comando do país em caso de vacância. Como Jerí foi afastado do cargo parlamentar, os deputados precisam eleger um novo chefe do Parlamento, que também se tornará presidente interino da República.

Fernando Rospigliosi, atual titular do Parlamento, convocou a sessão, mas recusou assumir o Executivo. A votação será secreta e presencial, com contagem manual dos votos. Para vencer no primeiro turno, o candidato precisa de maioria simples entre os presentes. Caso contrário, haverá segundo turno entre os dois mais votados.

Disputa interna e correlação de forças

Quatro nomes disputam o posto: Héctor Acuña (Honra e Democracia), Maricarmen Alva (Ação Popular), Edgar Reymundo (Bloco Democrático Popular) e José María Balcázar (Peru Libre). Nenhum deles possui maioria isolada, o que torna as alianças decisivas dentro do Congresso do Peru.

Segundo o jornal La República, Acuña conta com quatro votos de sua bancada e pode tentar atrair os 17 parlamentares da Alianza para el Progreso. Alva soma 10 votos. Reymundo tem cinco. Balcázar reúne 11. O cenário fragmentado amplia o peso das negociações de última hora.

Escândalos e debate jurídico

A queda de Jerí ocorreu após uma sequência de denúncias. O chamado “chifagate” envolveu reunião fora da agenda oficial com empresários chineses, revelada em 11 de janeiro. Além disso, reportagens apontaram que até 11 jovens teriam recebido contratos públicos após visitas ao Palácio.

O Ministério Público abriu investigação preliminar por supostos crimes de tráfico de influência e patrocínio ilegal. Jerí negou irregularidades e afirmou que respeitaria o resultado da votação. Já o ex-presidente do Tribunal Constitucional Óscar Urviola declarou à RPP que optar pela censura, e não pela vacância presidencial, equivale “na prática, a um golpe de Estado”.

Congresso do Peru e a instabilidade recente

O Congresso do Peru conduz agora a definição do presidente interino que ficará no cargo até a posse do chefe de Estado eleito em abril. Segundo a agência Reuters, o país teve oito presidentes em 10 anos, o que revela uma sequência de rupturas institucionais raras na região.

A decisão desta quarta-feira não resolve a crise estrutural, mas redefine o comando do Executivo em um momento sensível, marcado por investigações, disputas parlamentares e campanha eleitoral em curso. O desfecho no Congresso do Peru indicará se o Legislativo buscará pacificação temporária ou prolongará a tensão política às vésperas das urnas.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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