Os ataques russos à Ucrânia marcaram a terça-feira (17/02) com um dos maiores bombardeios das últimas semanas, poucas horas antes da terceira rodada de negociações entre Kiev e Moscou em Genebra. A ofensiva combinou mísseis balísticos, de cruzeiro e quase 400 drones, atingindo principalmente a cidade portuária de Odessa e áreas centrais do país.
Segundo a Força Aérea ucraniana, a Rússia lançou quatro mísseis Iskander-M, 20 Kh-101, quatro Iskander-K, um Kh-59/69 e 396 drones, incluindo cerca de 250 Shahed. Ao todo, sistemas de defesa antiaérea, aviões de combate e unidades de guerra eletrônica interceptaram 392 alvos, mas 13 pontos do território ucraniano ainda sofreram impactos diretos.
Em Odessa, um drone atingiu os andares superiores de um prédio residencial. Armazéns, um posto de combustíveis e veículos foram destruídos. A empresa DTEK classificou os danos à infraestrutura elétrica como “extremamente graves” e informou que prioriza hospitais e serviços essenciais.
O presidente Volodymyr Zelensky afirmou que dezenas de milhares ficaram sem aquecimento e água em pleno inverno. “A ofensiva foi claramente calculada para provocar o máximo de destruição possível no setor energético”, escreveu e defendeu a ampliação das sanções internacionais e o reforço dos sistemas de defesa aérea.
Guerra energética e retaliação cruzada
Desde fevereiro de 2022, os ataques russos à Ucrânia passaram a concentrar-se na rede elétrica, especialmente durante o inverno europeu. A Agência Internacional de Energia estima que a guerra já danificou ou destruiu mais de metade da capacidade de geração elétrica da Ucrânia. Analistas ouvidos pela Reuters avaliam que a combinação de mísseis e enxames de drones busca saturar as defesas e elevar o custo da proteção.
Além disso, três trabalhadores do setor energético morreram perto da usina de Sloviansk, segundo autoridades locais. Em Dnipropetrovsk, Sumy e Kherson, civis ficaram feridos e instalações industriais sofreram danos.
Ao mesmo tempo, Kiev informou ter atingido a refinaria russa de Ilsky. “O alvo foi atingido, causando um incêndio nas instalações”, declarou o Estado-Maior ucraniano. Moscou afirmou ter destruído mais de 150 drones ucranianos, inclusive sobre a Crimeia e o Mar Negro.
Ataques russos à Ucrânia e diplomacia sob tensão
Os ataques russos à Ucrânia ocorreram horas antes da nova rodada de conversas em Genebra, marcada para 17 e 18 de fevereiro. A delegação ucraniana é chefiada por Rustem Umerov. Do lado russo, Vladimir Medinsky lidera a equipe indicada pelo Kremlin.
O vice-ministro russo Sergei Ryabkov disse que as questões pendentes são “vastas” e que ninguém pode prever o resultado. Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que “a Ucrânia faria bem em sentar-se à mesa das negociações, e rapidamente”.
Enquanto diplomatas discutem cessar-fogo, os ataques militares russos mantêm a pressão no campo de batalha e influenciam o clima das negociações. A ofensiva energética amplia o custo humano do conflito e coloca Genebra diante de um impasse que mistura campo de batalha e diplomacia.