Arquivos do caso Epstein citam recrutamento de mulheres no RN em mensagens

Arquivos do caso Epstein citam recrutamento de mulheres no RN em e-mails entre 2010 e 2011, com referências a Natal, viagens internacionais e atuação de intermediários ligados ao financista.
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Jeffrey Epstein, financista norte-americano cujos arquivos judiciais mencionam contatos e tratativas envolvendo o Brasil. Foto: Getty Images

No dia (30/01), o Departamento de Justiça dos Estados Unidos tornou públicos novos documentos que mostram como arquivos do caso Epstein citam recrutamento de mulheres no RN (Rio Grande do Norte) em comunicações analisadas pelas autoridades americanas. Os documentos fazem parte do maior lote já tornado público sobre o financista, reunindo e-mails, registros internos e mensagens trocadas entre 2010 e 2011.

Os arquivos incluem referências diretas à cidade de Natal em conversas atribuídas a interlocutores de Epstein. As mensagens descrevem deslocamentos pelo Nordeste, menções a jovens em situação social vulnerável e tratativas sobre viagens internacionais, sem, contudo, confirmar a prática de crimes em território potiguar.

Arquivos do caso Epstein citam recrutamento de mulheres no RN

Em um e-mail datado de novembro de 2010, um remetente relata a Jeffrey Epstein que circulava por João Pessoa, Recife e Natal. Na mensagem, afirma ter “conseguido uma garota” e detalha planos de retorno aos Estados Unidos via São Paulo, onde teria contato com um agente.

Em janeiro de 2011, outra troca de mensagens menciona explicitamente Natal. O interlocutor afirma estar na casa da mãe na capital potiguar e descreve uma jovem oriunda da periferia, de família pobre, sem domínio do inglês e sem passaporte. As conversas abordam custos de passagens, visto e documentação, além da possibilidade de envio de recursos financeiros posteriormente.

Foto: Reprodução

Referências a recrutamento em documentos judiciais

As comunicações integram os chamados Epstein Files, conjunto usado por investigadores para mapear a atuação internacional da rede associada ao financista. Embora arquivos do caso Epstein citem recrutamento de mulheres no RN, os próprios documentos destacam que menções nominais ou geográficas não configuram comprovação automática de ilícitos.

Parte dos registros do caso Epstein aparece com trechos tarjados. Isso impede a identificação completa de remetentes e destinatários. As autoridades americanas tratam o conteúdo como insumo investigativo, voltado à reconstrução de fluxos, contatos e tentativas de aproximação descritas nas mensagens.

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Arquivos do caso Epstein citam recrutamento de mulheres no RN e conexões internacionais

O elo mais recorrente entre Epstein e o Brasil, segundo os documentos, é o agente francês Jean-Luc Brunel. Ele aparece em outros registros como intermediador no recrutamento de mulheres. Brunel atuou no mercado internacional da moda e esteve no Brasil em diferentes ocasiões, segundo os registros do caso Epstein. A Justiça francesa o acusou de estupro e tráfico sexual. Ele morreu na prisão em 2022.

No conjunto, arquivos do caso Epstein citam recrutamento de mulheres no RN como parte de um padrão mais amplo de comunicações transnacionais. A análise contínua do material indica que o Brasil surge como referência em trocas privadas, enquanto as investigações seguem concentradas em compreender a dimensão internacional da rede ligada ao financista.

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Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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